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Mundo

Prédio que desabou em Bangladesh fornecia para grandes grifes

media Desabamento de prédio de uma indústria textil no Bangladesh já deixou mais de 200 mortos. REUTERS/Andrew Biraj

A grife espanhola Mango reconheceu nesta quinta-feira ter encomendado 25 mil amostras a uma confecção que funcionava no imóvel que desabou nesta quarta, matando mais de 200 pessoas. O reconhecimento foi feito em nota assinada pela porta-voz do grupo Marta Soler Morera depois que a federação dos trabalhadores da indústria têxtil e da indústria de Bangladesh encontrou comandas da marca entre os escombros do prédio Rana Plaza, situado na periferia da capital Dacca.

Além da Mango, que tem 2,6 mil lojas em 109 países, a Federação encontrou provas de ligações de outras confecções, como a britânica Primark, a Tex (subsidiária do Carrefour), a italiana Benetton e o gigante americano da distribuição Walmart. De acordo com a organização de defesa dos trabalhadores da indústria têxtil baseada em Amsterdam Clean Clothes Campaign, etiquetas da C&A também foram encontrada, mas a marca garantiu que não mantêm negócios com as empresas do prédio desde outubro de 2011.

Entre todas essas grifes, a única que reconheceu ligação direta com as confecções que operavam no Rana Plaza foi a Primark. Em comunicado, o grupo britânico se disse "chocado e profundamente entristecido com este terrível acidente em Savar" e prestou condolências a todas as pessoas envolvidas. O Carrefour garantiu que "nenhuma das empresas que operavam neste edifício" consta de sua lista de fornecedores em Bangladesh, mas prometeu uma investigação detalhada. O Walmart teve posição similar.

A Benetton, por sua vez, negou qualquer ligação com essas confecções. Mas, documentos fornecidos pelas organizações de defesa dos trabalhadores mostram que a companhia italiana encomendou peças a empresas instaladas no Rana Plaza em setembro do ano passado. Em 2012, o setor gerou US$ 20 bilhões de dólares em exportações de Bangladesh, mas a renda dos costureiros dificilmente ultrapassa US$ 37 por mês.

Negligência coletiva
Para os grupos que defendem funcionários da indústria têxtil, a responsabilidade pelos mortos e feridos em acidentes deste tipo deve ser compartilhada entre os patrões locais negligentes, o governo, que faz vista grossa às infrações de segurança e as firmas ocidentais, que priorizam a redução de custos em detrimento da segurança dos funcionários.

Em novembro, um incêndio em uma confecção próxima a Dacca matou 111 operários, a maioria mulheres, e suscitou uma polêmica sobre as condições de trabalho e segurança dos empregados da indústria têxtil de Bangladesh, que é a segunda maior do mundo. O prédio onde houve o incêndio não tinha equipamentos de combate ao fogo, as saídas de seguranças estavam bloqueadas e os chefes obrigaram os trabalhadores a continuar em seus postos de trabalho quando a fumaça começou a entrar, alegando que tratava-se de um treinamento. Nesta quarta-feira, houve novamente negligência por parte da chefia. Na véspera, funcionários haviam evacuado o prédio depois de constatar fissuras nas paredes, mas os patrões mandaram todos voltarem a seus postos.

"Há vários anos que o governo promete tomar medidas significativas para melhorar a segurança nas confecções, mas nunca respeitou essas promessas", denuncia Scott Nova, diretor executivo do grupo de defesa dos operários Worker Rights Consortium, sediado em Washington. "Eles temem que direitos trabalhistas mais rígidos aumentem o custo de produção e levem marcas estrangeiras a procurar outros países".

Para Meenakshi Ganguly, diretora da Human Rights para a Ásia do Sul, os consumidores deveriam ajudar a fazer pressão sobre as marcas para que elas saiam de Bangladesh, criando uma tomada de consciência por parte da indústria. "Vimos isso acontecer com o comércio dos diamantes de sangue: quando os consumidores se conscientizam e deixam de comprar diamantes cuja origem é problemática, a indústria é obrigada a mudar", afirma Ganguly.

Babul Akther, que chefia a Federação dos Trabalhadores da Indústria Têxtil em Bangladesh, é preciso que os responsáveis pelo acidente do Rana Plaza sejam punidos. "Aqui, os empresários estão acima da lei e as marcas ocidentais são cúmplices porque fecham os olhos para as práticas dos fabricantes. Assim como os fabricantes, essas grifes usam a mão de obra de Bangladesh como uma caixa registradora".

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