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Mundo

RDC: Rebeldes exigem diálogo com Kabila para pararem ofensiva

media Rebelde do M23 em uma rua de Goma, no leste da República Democrática do Congo, após a tomada da cidade nesta terça-feira. Reuters

Os rebeldes do movimento M23, que ocuparam Goma, no leste da República Democrática do Congo, vão continuar sua ofensiva até que o presidente Joseph Kabila aceite negociar. O anúncio foi feito nesta quinta-feira por Jean-Marie Runiga, líder do braço político do movimento. Uma cúpula extraordinária da Conferência Internacional dos Grandes Lagos será realizada no sábado para tentar resolver a crise.

O presidente Joseph Kabila, que viajou para Uganda para discutir com o presidente de Rwanda, Paul Kagame, acusado de apoiar os rebeldes, prometeu nesta quarta-feira estudar as reivindicações deles. Os dois presidentes, assim como o chefe de estado ugandês, Yoweri Museveni, exigiram que os rebeldes parassem a ofensiva e se retirassem de Goma, capital do Kivu Norte e principal cidade da região leste do país.

O M23, batizado em referência aos acordos de paz de 23 de março de 2009, que prevêm a integração dos rebeldes no exército, acusa Joseph Kabila de não ter respeitado os termos desse pacto. Formado em maio, o movimento lançou sua ofensiva há uma semana e prometeu na quarta-feira "libertar" toda a República Democrática do Congo e anunciou a tomada da localidade de Sake, a cerca de 20 quilômetros a oeste de Goma.

A Conferência Internacional sobre os Grandes Lagos (CIRGL) realiza no sábado uma cúpula extrordinária dedicada à situação na República Democrática do Congo. A organização regional conta com 11 Estados-membros. Os presidentes Paul Kagame e Joseph Kabila vão participar do encontro. A presidente da Comissão da União Africana, Nkosazana Dlamini Zuma, e o comissário para a Paz e a Segurança, Ramtane Lamamra, também estarão presentes.

A ONU e o governo de Kinshasa (capital da República Democrática do Congo) acusam o M23 de ser uma força suplementar do governo de Rwanda no leste da República Democrática do Congo. Especialistas da ONU recentemente acusaram também Uganda de apoiar a rebelião. Os governos de Rwanda e Uganda desmentem categoricamente essas afirmações.

A ONU tem no leste da República Democrática do Congo seu maior contingente de soldados em missão de paz no mundo, com um total de 17 mil homens. A Bélgica e a França defendem a revisão e o reforço da missão da Monusco (Missão da ONU para a Estabilização da República Democrática do Congo), que atualmente se limita à proteção de civis.

O encontro de sábado será a quinta cúpula da CIRGL desde julho dedicada à situação, sem que tenha sido registrado até agora nenhum progresso notável. Um projeto de mobilização de uma força "neutra", encarregada de erradicar os diversos grupos armados no leste do país, continua em ponto morto.

O Kivu Norte e o Kivu Sul são palco de conflitos quase sem interrupção desde o início da década de 90 por causa de sua abundância em recursos mineirais e agrícolas, disputados pelo governo congolês, por diversos movimentos rebeldes e pelos países vizinhos. 

A ong Médicos sem Fronteiras, com sede em Paris, estima que existam atualmente "mais de 100 mil desabrigados" no leste da República Democrática do Congo, "sem acesso à água e sem comida". 

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