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"Bacurau" mostra o Brasil, "um país maravilhoso, mas também muito feio”, disse Kléber Mendonça em Cannes

 
Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles (à direita) na 'Croisette', pouco antes da estreia mundial de Bacurau em Cannes. RFI

Três anos após um protesto cujas imagens deram a volta ao mundo, o diretor Kléber Mendonça Filho retorna ao Festival de Cinema de Cannes, desta vez ao lado de Juliano Dornelles, com “Bacurau”. Os cineastas deram uma entrevista exclusiva à RFI pouco antes da projeção do filme na competição oficial pela Palma de Ouro e falaram sobre os cortes no orçamento da cultura no Brasil, do processo lançado contra o diretor de “Aquarius” na Justiça e do famoso manifesto de 2016.

Enviado especial a Cannes

Rodado no sertão de Pernambuco, “Bacurau” conta a história de um vilarejo que, misteriosamente, desaparece do mapa. Apresentado como uma mistura de western com ficção científica, o filme aponta temáticas como questões raciais e ausência do Estado, além da dicotomia entre o norte e o sul do país.

“Não se trata de uma referência do Brasil atual, e sim de uma questão que atravessa décadas da formação social do nosso país”, explicou Kléber Mendonça pouco antes da projeção do filme. “Eu acho que o Nordeste sempre está lá, enquanto o Sudeste tem uma posição de poder, que foi criada artificialmente ao longo da história do Brasil. E essa divisão existe, seja em cultura, em trejeitos, falas, sotaques e uma imposição que tem a ver com poder e economia. É interessante isso estar presente, pois eu e Juliano somos pernambucanos, então é muito importante que os filmes retratem o lugar onde a gente vive. E o país onde vivemos é maravilhoso, mas também é muito feito, e isso tem que estar no filme”, continua o diretor.

“Nada de bom está vindo”

“Eu cada vez mais tenho orgulho do protesto que fizemos em 2016”, se lembra o cineasta, que além de “Aquarius”, passou por Cannes como presidente do júri da Semana da Crítica, em 2017. E mesmo se não fizeram nenhum manifesto durante a projeção de “Bacurau” nessa quarta-feira (15), como há três anos quando Kleber e o elenco criticaram abertamente o processo de impeachment de Dilma Rousseff diante das câmeras do mundo, os dois diretores se mostram preocupados com os anúncios recentes de cortes no orçamento da Cultura no Brasil.

“A gente ainda não entendeu exatamente quais serão as consequências, pois isso começou agora. Mais obviamente nada de bom está vindo”, comentou Juliano Dornelles. “O que esses caras estão tentando é fazer com que a gente desapareça, porque discordamos deles. Vão fazer de tudo para que a gente não exista, mas não vão conseguir, porque a gente resiste”, martela o diretor.

“Não acredito em coincidências”, diz Kléber sobre multa milionária

A declaração também faz alusão ao processo visando a produtora de Mendonça Filho, acusada de irregularidades na captação de recursos para o filme “O Som ao Redor”, de 2012. Uma acusação lançada no mesmo dia em que foi divulgada a seleção de “Bacurau" na disputa pela Palma de Ouro em Cannes.

“Eu não acredito em coincidências”, aponta Kléber. “Toda vez que estamos trabalhando duro em um projeto, os ataques são retomados”, relata, lembrando que as primeiras notificações foram enviadas durante as filmagens de “Bacurau”, há dois anos. “Nos pediram para devolver o orçamento inteiro de ‘O Som ao Redor’, com correção monetária, uma multa sem precedentes na história do cinema brasileiro, ainda mais para um filme que foi entregue e se tornou uma referência internacional e dentro do Brasil”, se defende. Kléber denuncia uma “acusação fabricada”. “O ministério da Cultura deveria ser usado para apoiar artistas e não para atacá-los”, alfineta.


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