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“Lagerfeld era o camaleão da moda”, lembra estilista brasileiro Gustavo Lins

“Lagerfeld era o camaleão da moda”, lembra estilista brasileiro Gustavo Lins
 
Karl Lagerfeld marcou a história da moda com seu talento polivalente ®REUTERS/Benoit Tessier

Com a morte do estilista Karl Lagerfeld nesta terça-feira (19), o mundo da moda perde um de seus ícones. Polivalente, ele atravessou épocas e estilos e soube se adaptar a uma indústria em transformação permanente. O mundo da moda está de luto e saúda o legado do alemão.

De Anna Wintour a Linda Evangelista, inúmeras foram as homenagens de personalidades do mundo da moda ao estilista durante o dia. “Apagou-se um gênio criativo, que contribuiu para fazer de Paris a capital mundial da moda”, declarou Bernard Arnault, presidente do grupo LVMH, proprietário da marca Fendi, cuja direção artística era assinada pelo alemão.

Arnault sabe do que fala. Dono do grupo que lidera o mercado mundial do luxo, o executivo francês tem consciência de que o alemão foi um dos responsáveis pela globalização da indústria da moda, orquestrando desfiles espetaculares e criando produtos que despertavam o desejo pelo planeta afora, seja com a Chanel, que pilotava desde 1983, com sua própria marca, criada um ano mais tarde, ou à frente da Fendi, para quem ele desenhava há mais 50 anos, algo raro no mundo das passarelas. Foi justamente para a maison italiana que o kaiser, como era chamado, realizou, em 2007, um desfile na Muralha da China, em um evento que simbolizava não apenas a expansão das empresas do setor no mercado asiático, mas também o poder das grifes globais.

Sem esquecer as inúmeras colaborações com marcas mais acessíveis, como a coleção que realizou para a gigante sueca H&M em 2004, lançando uma moda de cobrandings explorada a exaustão até hoje. “Foi com esse projeto que ele começou a ficar mais popular”, comenta o estilista Gustavo Lins, que durante muitos anos foi o único brasileiro a fazer parte oficialmente do calendário de desfiles de alta-costura e admirava o trabalho do alemão.

“Lagerfeld testou todos os limites com sua visão única”, declarou o estilista americano Tommy Hilfiger nas redes sociais. “Ele foi uma grande inspiração para mim e, sem dúvida, um talento único e extraordinário”, declarou Marc Jacobs. "Seu legado perdurará", afirmaram nesta os organizadores das Semanas de Moda de Londres e Milão.

Polivalência

Mas a característica mais citada pelos colegas da profissão é a polivalência do estilista, capaz de desenhar simultaneamente para várias grifes, sublimando os códigos de cada uma, sem perder seu estilo. “Era um grande camaleão, capaz de se adaptar ao DNA de cada marca para qual trabalhava. Ele tinha uma capacidade muito grande de captar cada época e se expressar nas coleções”, resume Gustavo Lins.

Para o estilista radicado em Paris, a morte de Lagerfeld vira uma página na história da moda. “É todo um mundo que desaparece com ele”, diz Lins, que não vê como outro nome poderia repetir a longevidade e o sucesso popular do alemão, um dos poucos nomes da moda reconhecido internacionalmente, inclusive por quem não trabalha no setor. “Lagerfeld é um produto típico do século 20, da pós-guerra. Então eu acho muito difícil hoje, com a volatilidade das redes sociais e a rapidez com a qual as pessoas entram e saem dos canais sociais, alguém encarnar uma carreira tão perene, se expondo tanto como ele se expôs”, diz o brasileiro.

Língua afiada

O estilista era conhecido por sua cultura impressionante cheia de referências visuais, alimentada por sua coleção de mais de 300 mil livros. Uma bulimia de saber que o levou a abrir sua própria livraria em Paris. Mas Lagerfeld também era famoso por sua língua afiada, disposto a falar sobre tudo, em francês, inglês, alemão ou italiano, sem medo de chocar. Como quando dizia detestar “olhar feiúra”, que as gordinhas não têm lugar nas passarelas, ou que “o único amor no qual acredita é no de uma mãe por seus filhos".

“Era mais uma provocação que ele fazia. Uma retórica que utilizava. Mas no fundo, ele era um homem muito justo e que tinha um olhar muito pertinente em relação a cada momento de acontecimentos fortes. Ele sempre reagia de uma maneira muito positiva. Eu tenho muito respeito pela cultura, pelo homem, pelo personagem e pelo trabalho que ele exerceu. Ele deixa uma obra fenomenal”, pondera Gustavo Lins. “A grande inteligência dele foi saber fazer com que a provocação que criava nas coleções gerasse produtos derivados para a indústria cosméticas, acessórios em couro e tudo que se declina a partir do seu imaginário”. 

Mas Lagerfeld suscitou algumas polêmicas sobre temas mais sensíveis. Em 2017, por exemplo, disse que a chanceler Angela Merkel não deveria ter permitido a entrada de um milhão de migrantes na Alemanha, apenas “para ficar com imagem de boazinha”. E completou: “não se pode matar milhões de judeus para em seguida convidar seus priores inimigos”. Mesmo assim, quem o conhecia louvava sua gentileza e respeito ao trabalho dos colegas, da diretora do atelier às camareiras. Sem esquecer a paixão por sua gata Choupette, que tem sua conta no Instagram e dispõe de duas governantas. “Pelo menos eu crio empregos”, respondia o kaiser a quem o taxava de esnobe.


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