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Gestão florestal inadequada reitera incêndios em Portugal

Gestão florestal inadequada reitera incêndios em Portugal
 
Em pleno outono, incêndios retomaram com força no centro e norte de Portugal, como em Cabanoes. REUTERS/Pedro Nunes

As imagens do fogo consumindo florestas e avançando sobre estradas e vilarejos portugueses marcaram o verão 2017. Agora, em pleno outono, as cenas de desespero em Coimbra, Castelo Branco, Viseu e Guarda voltaram a preocupar o país e o número de vítimas aumenta. A cada ano, o problema se repete mas, conforme especialistas, não são as mudanças climáticas que geram os incêndios, e sim o próprio homem.

 

Obviamente, o fator humano está por trás quando os incêndios são criminosos ou causados por queimadas. Mas a gestão florestal inadequada pode ser tão nociva quanto uma ação deliberada para provocar o fogo.

Em meio ao drama, as mudanças climáticas são evocadas com frequência para explicar a recorrência das chamas. Para o diretor do núcleo de investigação de incêndios florestais da Universidade de Coimbra, Luciano Lourenço, o aquecimento do planeta se tornou uma desculpa simples demais para as tragédias.

“Nós habituamo-nos – e isso convém aos políticos – a culpabilizar as mudanças climáticas e a responsabilizá-las por tudo. De fato, algumas condições meteorológicas são muito favoráveis aos incêndios. Este ano foi um exemplo típico, assim como em 2005, com muita seca e ausência de precipitações. Isso faz com que a humidade nos combustíveis desça muito e queimem com mais facilidade. Essas condições estão identificadas e, no meu ponto de vista, não são suficientes para justificar o que aconteceu”, afirma.

Lourenço ressalta que, se as condições climáticas fossem o verdadeiro problema, a região do Alentejo, mais seca e quente, concentraria o maior número de incêndios. Porém é o norte e o centro de Portugal que vêm registrando as ocorrências mais dramáticas.

Sem explosão dos casos nos últimos anos

O especialista admite que não há como evitar o fogo quando as condições climáticas são propícias, mas é possível limitar bem mais os estragos, com uma gestão responsável das florestas. Ele nota que, ao contrário do que possa parecer, não houve uma explosão do número de incêndios nos últimos anos.

“Houve um aumento exponencial dos incêndios nos anos 1970 até o final da década de 1990. A partir daí, o número estabilizou e, apos 2005, até decresceu bastante. Nos últimos anos, comparativamente a antes, o número é mais baixo”, nota. “Este ano, fruto das condições adicionais em termos meteorológicos, voltamos a ter um número elevado de incêndios e passamos a ter incêndios de grande dimensão. Essa é a grande diferença.”

Crescimento desorganizado das florestas

O professor afirma que as florestas portuguesas se ampliaram muito nas últimas décadas, para a extração da madeira. O problema é que esse crescimento ocorreu de maneira desordenada e sem diversificação de culturas e espécies – o eucalipto, árvore com um potencial combustível mais elevado, predomina.

Ao mesmo tempo, as áreas rurais, que serviam de amortecimento natural à propagação do fogo, deram espaço a florestas contínuas de eucaliptos. “Quando olhamos para os últimos 50 ou 100 últimos anos de evolução da floresta, verificamos uma progressiva substituição das espécies autóctones, as castanheiras e os carvalhos, pelo pinheiro bravo, em uma primeira fase, e mais tarde, há 30 anos, pelo eucalipto. Essa mudança terá consequências sobre tudo porque essas plantações não foram feitas respeitando a compartimentação que deve existir na floresta”, diz.

O especialista explica que se as áreas florestais fossem intercaladas por outras culturas ou mesmo faixas livres de plantio, as regiões suscetíveis a incêndios ficariam muito mais protegidas do fogo, além de o combate às chamas poder ser bem mais eficiente. As leis estabelecendo essas regras existem, mas não são cumpridas.

“É fundamental atuar sobre as pessoas, através de medidas de sensibilização, da formação e da responsabilização. Desse ponto de vista, o Estado pouco tem feito, de forma consistente e continuada, mas essa seria uma das áreas onde seria importante intervir”, observa.

Falta de qualificação

O especialista ainda ressalta a necessidade de melhorias na qualificação dos coordenadores das operações de combate ao fogo, para aprenderem sobre o comportamento e a propagação das labaredas e, assim, se anteciparem na luta contra a evolução das chamas.

Este foi um dos principais pontos criticados por um grupo de especialistas que elaboraram um relatório sobre as falhas que provocaram os gigantescos incêndios de junho em Pedrógão Grande, quando 65 pessoas morreram. O relatório final sobre a tragédia foi revelado nesta segunda-feira (16) – mesmo dia em que o balanço de 36 novas mortes por incêndios entristeceu, mais uma vez, o país.


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