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Brics se reúnem na China para discutir crescimento econômico

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Brics se reúnem na China para discutir crescimento econômico
 
O presidente chinês Xi Jinping recebeu seu homólogo brasileiro para encontro dos Brics em 1° de setembro de 2017. Reprodução Twitter

Os líderes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o grupo Brics, se reúnem a partir deste domingo (3) na cidade balneária chinesa de Xiamen. A pauta de discussões é extensa e uma das principais preocupações é a retomada do crescimento econômico. Os cinco países do bloco querem mostrar ao resto do mundo que vão continuar sendo a locomotiva da economia do planeta.

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Pequim, de Xiamen

Nesta nona cúpula do Brics, os cinco países querem mostrar que ainda são uma referência para a economia mundial. Na última década, juntos, cresceram bem acima do resto do mundo. Mas, neste momento, o ritmo não é igual entre eles. A China e a Índia vêm apresentando taxas de crescimento bastante altas. Enquanto o Brasil e a Rússia tentam sair de um período de quase três anos de recessão.

Vale lembrar que os russos estão sob sanções do Ocidente desde a crise na Ucrânia em 2014. A África do Sul também não vai bem. A ideia é tentar passar uma mensagem de união, de que os cinco podem se ajudar e se complementar. De que vão continuar influenciando o cenário global pela sua força.

O contexto internacional mudou, e muito. O mundo de hoje não é mais o mesmo de 2008, quando surgiu o Brics. De lá para cá, os países ainda lutam para se recuperar da crise financeira global, uma onda de extrema direita varreu países importantes. Os Estados Unidos mudaram posições que pareciam consolidadas em temas importantes desde a eleição do republicano Donald Trump.

Trump retirou o país do acordo sobre o combate à mudança do clima em Paris e também tem defendido medidas protecionais com a sua política do America First, ou os Estados Unidos antes de tudo. O Reino Unido optou por deixar a União Europeia. A tensão na península das Coreias é imensa com a ameaça de um conflito. Enfim, são muitas novas variáveis.

A China na presidência do Brics

A China está na presidência do bloco e tem se esforçado para mostrar bons resultados, tendo realizado mais de 100 reuniões em vários níveis para acelerar a agenda e buscar resultados positivos. E, talvez até por esse cenário internacional diferente, o país tenha resolvido ampliar o escopo das nações convidadas para o encontro. Tradicionalmente, a presidência do grupo convida países vizinhos. Este ano, os chineses vieram com a ideia do Brics Plus. Trouxeram para o diálogo Egito, Tailândia, Tadjiquistão, México e Guiné. Com isso, querem trazer dinamismo para as conversas sobre o fortalecimento dos mercados emergentes.

O comunicado final da cúpula do Brics deverá refletir a grande campanha chinesa pela globalização, pelo fim de protecionismo e o pelo combate à mudança do clima, bandeiras que Pequim abraçou desde a eleição do presidente americano, Donald Trump. Este é um tema que interessa os outros países do grupo e o comunicado final do encontro será uma oportunidade de reafirmar o compromisso com essas agendas, que talvez não venham sendo reiteradas como antes em outros fóruns, como o G20, por exemplo. Haverá também debates sobre temas como segurança, combate ao terrorismo, coordenação macroeconômica, facilitação de comércio e comércio eletrônico.

O presidente brasileiro, Michel Temer, que chegou antes para uma visita de Estado à China, também participa do encontro. Temer veio com a clara missão de atrair investimentos para o Brasil. Trouxe em sua comitiva sete ministros de áreas-chave para mostrar que o Brasil é um bom negócio. A mensagem que pretende passar durante o encontro do Brics é a de que a economia brasileira hoje está muito melhor do que há um ano, quando esteve na China, e que o país tem apostado em reformas importantes e está pronto para receber mais investimentos. Claro, ele deve reafirmar também o compromisso brasileiro com o multilateralismo e o combate à mudança do clima, um tema que sempre foi caro ao Brasil.

A cidade portuária de Xiamen, onde acontece a reunião de cúpula

Xiamen fica 1,8 mil km ao sul de Pequim. É uma cidade balneária que na década de 1980 se tornou uma das quatro zonas econômicas especiais criadas pelo então presidente Deng Xiaoping para estimular o crescimento regional e, claro, do país em última instância.

A cidade foi preparada para receber investimentos estrangeiros, criou vantagens tributárias e até ofereceu salários para os chineses acima da média nacional. Fundada em 282, Xiamen tem um parque tecnológico importante e vem investindo em turismo. A ilha de Guliangyu entrou este ano para a lista do Patrimônio da Humanidade da Unesco. Com 20 mil habitantes, recebe 10 milhões de visitantes por ano e só permite o acesso a pedestres. Carros e bicicletas foram banidos.

A cidade tem uma atmosfera bem mais limpa do que em outras regiões da China, sempre mais poluída, especialmente em Pequim, que, por sinal, recebeu a comitiva brasileira com altos índices de poluição. Hoje, há mais de 200 AQI, ou seja, 20 vezes o nível considerado razoável pela Organização Mundial de Saúde (OMS).


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