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Geral

Lula como ministro de Dilma é aposta arriscada, diz Les Echos

media A presidente Dilma Rousseff entre o ex-presidente Lula e sua mulher Marisa, em São Bernardo do Campo, em 5/03/16 Foto: Reuters

A intensa movimentação política no Brasil volta às páginas da imprensa francesa nesta quarta-feira (16). A possível entrada do ex-presidente Lula no governo é vista pelos jornais franceses como uma manobra arriscada para protegê-lo das investigações do Ministério Público e tentar salvar o mandato de Dilma Rousseff.

Para Le Figaro, Lula e Dilma Rousseff decidiram se unir diante do escândalo que tomou conta do país. O ex-presidente pode aceitar um ministério para se proteger da justiça, escreve o diário ao interpretar a estratégia adotada pela dupla.

"Até quando ela vai se manter?", pergunta a correspondente do jornal no Rio de Janeiro, Lamia Oualalou, ao se referir à manifestação de domingo (13) contra a presidente Dilma Rousseff. A situação da presidente se deteriorou ainda mais com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de homologar a delação do senador Delcídio do Amaral.

Le Figaro lembra que, em seu depoimento, ele acusa diretamente Dilma Rousseff e seu antecessor, Lula, de corrupção. Os dois são acusados pelo senador de tentar frear a investigação da operação Lava Jato, que revelou um vasto esquema de corrupção envolvendo a petrolífera Petrobras. Dilma ainda teria se beneficiado de dinheiro ilegal para sua campanha de 2014, acusa Delcídio.

Em entrevista ao Le Figaro, o professor de Ciências Políticas da Universidade do Rio de Janeiro, Maurício Santoro, afirma que, se as acusações se confirmarem, a situação de Dilma Rousseff fica insustentável.

Rejeição à classe política

Até então, diz a reportagem, a oposição acusava Dilma de "crime de responsabilidade" por ter escondido da população a situação real do déficit público de 2014. Politicamente, o argumento era fraco para justificar o pedido de impeachment. Agora, com a denúncia de entrave à justiça e de corrupção, a situação muda, diz o jornal. A presidente pode ser destituída pelo Congresso e dar lugar ao seu vice, Michel Temer.

No entanto, Le Figaro lembra que as denúncias de recursos ilegais de campanha pode anular a eleição e, caso uma decisão neste sentido seja tomada antes do dia 31 de dezembro, os brasileiros deverão retornar às urnas. Depois dessa data, caberia ao Congresso, mais impopular do que a próprio governo, escolher um sucessor para terminar seu mandato.

Mas este cenário preocupa também a oposição, que também foi rejeitada nas ruas pela população. O perfil sociológico continua o mesmo: gente com formação superior, da classe média, o que prova que os protestos ainda não atraíram as classes mais pobres. Mas essas manifestações de domingo (13) mostraram, segundo o analista Maurício Santoro, que os brasileiros "rejeitam todo esse sistema político, e não apenas o Partido dos Trabalhadores".

Presidente “perdida”

Perdida, segundo Le Figaro, Dilma Rousseff tenta uma última cartada ao apelar para o ex-presidente Lula integrar seu governo. A percepção de pessoas próximas mostra que ele seria o único a salvar um governo à deriva, ao negociar um acordo com os caciques do PMDB e mudar os rumos de uma política econômica que alimenta a recessão.

Essa nomeação, se vier a acontecer, escreve Le Figaro, tem como consequência proteger Lula da prisão, pois ele seria então julgado pelo STF. Essa imunidade temporária de Lula poderia ser interpretada como uma confissão de culpa, diz o jornal, lembrando que uma eventual ida do ex-presidente ao governo não impede que sua mulher Marisa seja presa.

Hoje, afirma Le Figaro, a imparcialidade da justiça também está em jogo. O juiz Sérgio Moro é adorado pela multidão por ter colocado políticos e empresários na cadeia, mas sua estratégia de instrumentalizar a imprensa contra o governo incomoda, assim como sua disposição de poupar nomes da oposição como Aécio Neves, acusado muitas vezes.

Le Figaro conclui seu artigo com uma declaração do cientista político André Singer da Universidade de São Paulo (USP). Ele considera "grave" a postura de um juiz por "focar suas acusações em apenas um único partido".

O ex-presidente Lula depois de uma reunião com senadores do PMDB, em Brasília. REUTERS/Adriano Machado

Aposta arriscada

A possível volta de Lula ao poder também ganhou destaque no jornal econômico Les Echos. "Ele está pronto para voltar ao governo", é o título da reportagem assinada pelo correspondente em São Paulo, Thierry Ogier. É a mais nova virada na cena política brasileira, diz o jornal sobre a eventual volta de Lula para salvar o governo de uma presidente cuja autoridade foi fortemente afetada pelas manifestações de domingo.

Mas Dilma tem uma arma secreta: Lula. Nomeado como secretário-geral, ele poderia usar de sua influência e suas boas relações com parlamentares para frear o processo de impeachment. A aposta é ousada e arriscada, segundo Les Echos, mas teria um efeito duplo: permitir que as investigações contra Lula na Lava Jato sejam transferidas para o STF. Assim, o ex-presidente não seria mais alvo da justiça comum e ganharia mais tempo, afirma o jornal francês.

Analistas políticos veem com maus olhos essa manobra. Se a nomeação for confirmada, Dilma Rousseff perderia o pouco poder que lhe resta. Mas tudo pode se complicar com outros casos que surgiram, escreve Les Echos, em referência à delação do senador Delcídio do Amaral que acusa diretamente Lula, Dilma e até o líder da oposição, Aécio Neves, com casos de corrupção.

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