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Espanha é mais uma vez a terra da inovação política

Espanha é mais uma vez a terra da inovação política
 
Líder do partido Ciudadanos celebra resultado das eleições em Madri em 20 de dezembro de 2015. REUTERS/Susana Vera

Quando o general Franco morreu em 1975, a Espanha foi um exemplo para o resto do mundo de transição pacífica de uma ditadura para uma democracia. Hoje, de novo, a sociedade espanhola constitui um laboratório exemplar de uma nova maneira de organizar a vida democrática.

 

 

 

Nesse mundo onde a economia, a informação e até a cultura estão cada vez mais globalizados, nenhum governo tem condições de resolver sozinho, dentro do espaço nacional, os diversos problemas que se colocam para a cidadania. Dai a insatisfação crescente das populações – dos que votam e dos que não votam – com seus dirigentes políticos e os velhos partidos representativos. Governar, nos tempos atuais, é muito mais uma questão de administração permanente e local das pressões e constrangimentos que vêm do mundo global. A ideia de que a política é a livre definição de um vasto programa de ação voluntarista, seja de esquerda ou de direita, capaz de trazer soluções nacionais para as preocupações dos cidadãos, está se tornando obsoleta.

A gestão pública hoje, precisa de muito mais flexibilidade para se adaptar às transformações quase cotidianas provocadas pelas novas tecnologias, pela conexão permanente das populações via redes sociais, pelas novas maneiras de produzir e trabalhar, ou pela falência de quase todos os sistemas de seguro social herdadas do último meio-século. Sem falar na incapacidade dos governos, cada dia mais evidente, em controlar a violência social ou as ameaças externas como o terrorismo ou a criminalidade transnacional. Pouca gente ainda acredita que empoderar, por vários anos, a um partido político hierarquizado, mais ou menos controlado por uma oposição também hierarquizada, seja uma garantia de eficiência e estabilidade. O mundo contemporâneo não tem tempo de esperar quatro ou cinco anos para poder votar de novo e mudar de rumo.

O voto espanhol está mostrando que a questão é antes de tudo geracional. A campanha eleitoral foi feita entorno do “novo” contra o “velho”, e não nos termos tradicionais de direita versus esquerda. O eleitorado dos dois novos partidos espanhóis, Podemos e Ciudadanos, é constituído sobretudo por jovens urbanos, e conseguiram resultados espetaculares comendo parte dos votantes das duas forças tradicionais, o Partido Popular de centro-direita e o Partido Socialista de centro-esquerda. Mas nem por isso trata-se de partidos extremistas: na Espanha a extrema-esquerda e a extrema-direita praticamente não existem no quadro eleitoral. Os espanhóis não querem saber de políticos tipo Le Pen ou Tsipras. Podemos e Ciudadanos – um com uma visão mais “social”, outro com uma perspectiva mais empresarial e liberal – não estão a fim de chutar o pau da barraca e aceitam perfeitamente todas as regras impostas pela participação da Espanha na União Europeia. O que eles querem é uma Constituição mais adaptada à realidade espanhola de hoje, às novas maneiras de pensar e de viver das novas gerações, e à necessidade de produzir governos ágeis, rápidos, sem ideologias antiquadas, que trabalhem junto com as diversas expressões da sociedade civil. E isto só pode existir acabando com o monopólio das velhas representações.

Hoje, na Europa, mas também em muitas outras partes do mundo, os desafios são os de enfrentar a fragmentação dos Estados nacionais, combater a emergência de populismos autoritários e xenófobos, e garantir segurança e oportunidades no mundo globalizado para sociedades cada vez mais compostas por indivíduos e grupos eletivos não-tradicionais. A Espanha hoje está tentado demonstrar que um “quadripartismo” fluido, bem administrado, onde jovens e velhos discutem e agem de maneira moderada e civilizada, é capaz de dar uma resposta a esses desafios.

Claro, boas intenções não bastam. Um transição histórica nunca é um mar de rosas. A participação ao voto não foi lá das maiores e o resultado eleitoral deu vantagem ao partido da direita tradicional. Mas o PP não poderá governar sem aliados. Na verdade, não saiu maioria clara das urnas, todos vão ter que conversar muito para construir uma coalizão de poder. Não há nenhuma garantia de que vai haver governo espanhol com força para governar de verdade. Mas tudo isso faz parte. A Espanha mais uma vez é terra de inovação política.


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