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Geral

Saiba como está Paris um mês depois dos atentados

media Jesse Hughes (à esq.L) e Dave Catching, da banda Eagles of Death Metal, choram em frente ao Bataclan, onde 90 pessoas que assistiam seu show foram mortas em 13 de novembro de 2015. REUTERS/Charles Platiau

No domingo (13), faz um mês que Paris sofreu uma série de atentados realizados por jihadistas do grupo Estado Islâmico, que deixaram 130 mortos e centenas de feridos. A cidade de Saint-Denis, na periferia norte, também registrou uma vítima fatal. O maior ataque terrorista em solo francês traumatizou a população e impactou em diversos setores. Um mês depois, como está a vida na capital mais visitada do mundo?  

Homenagens

Os bares e restaurantes do 10° e 11° distritos de Paris (39 mortos) e a casa de shows Bataclan (90 mortos durante o show do grupo de rock americano Eagles of Death Metal) se tornaram locais de culto e recolhimento. Velas, desenhos, mensagens e toneladas de flores vêm sendo colocadas diariamente em homenagem às vítimas. Muitas pessoas, inclusive eu, somente agora conseguem passar em frente dos lugares atacados para se associar à dor coletiva.

O serviço de limpeza urbana da prefeitura de Paris recolheu as flores murchas e os restos de velas, mas nada vai ser esquecido. O organismo Arquivos Nacionais selecionou e guardou desenhos, poemas, fotos e mensagens desbotadas pelas chuvas. O material vai ser secado, restaurado e numerizado para a criação de um fundo documental sobre o movimento de solidariedade desencadeado pela tragédia.

Já os bichinhos de pelúcia, bandeiras da França e flores frescas foram colocados ao longo das barreiras de ferro do boulevard Richard-Lenoir,onde fica o Bataclan, depois da limpeza das calçadas. "Desejamos que os testemunhos possam ser conservados para guardar na memória coletiva um traço dessas homenagens", disse o prefeito-adjunto de Paris, Bruno Julliard. O diretor dos Arquivos de Paris, Guillaume Nahon, explicou que a ideia não é acabar com os locais de homenagem, mas conservá-los durante o período de luto. "Centenas de mensagens também foram recolhidas desde o começo das operações diante dos cafés "A la Bonne Bière", do bar "La Belle Equipe" e "Le Carillon" e do restaurante "Le Petit Cambodge" [locais atacados pelos terroristas], observou Nahon.

Os integrantes e sobreviventes do grupo Eagles of Death Metal, em cujo show 90 espectadores, a maioria jovens, perderam a vida, viajaram para Paris e choraram diante do Bataclan.

Le Monde: um memorial virtual

O jornal francês Le Monde também criou um memorial virtual que pode ser consultado no seu site. São 130 cabeças desenhadas, muitas delas sem imagem e outras com as fotografias e os nomes de vítimas e seus perfis, escritos por parentes e amigos junto com os jornalistas da publicação.

Segurança

A França está em estado de emergência desde os atentados. A ameaça terrorista está presente. Locais estratégicos como representações diplomáticas, instituições judaicas e mesquitas, são guardadas por militares fortemente armados.

Nas lojas, grandes magasins, cinemas, teatros, museus e casas de shows, as pessoas são recebidas por fortes seguranças e devem abrir suas bolsas e sacolas. Ninguém esconde um certo nervosismo ao sair para jantar, tomar um café ou ir a uma peça de teatro ou um show. O trauma do atentado está bem presente no cotidiano daqui. Os jovens franceses admitem que suas vidas mudaram depois dos ataques. Nada será como antes, eles dizem.

A gente pode sentir que a famosa "flânerie" parisiense, aquela despreocupação alegre de caminhar pelas ruas, desapareceu. Sentar num terraço ou ir a um concerto sem lembrar das vítimas é impossível neste momento. Nos transportes públicos, a preocupação é uma realidade, a começar pelos condutores dos trens suburbanos que ligam Paris à periferia. Na quinta-feira (10) quatro sindicatos fizeram uma greve para denunciar a negligência dos responsáveis diante da descoberta de objetos suspeitos; as denúncias dos usuários são quatro vezes maiores do que o normal.

Impacto econômico

Os atentados repercutiram de forma desastrosa na economia do país. O turismo foi um dos setores mais afetados desde 13 de novembro. A hotelaria parisiense teve 50% de reservas anuladas. O presidente do sindicato dos hotéis de alto luxo de Paris (Umih Prestige), Didier Le Calvez, afirmou que os próximos meses vão ser muito difíceis, como foi o caso depois dos atentados ao Charlie Hebdo, em janeiro. "O faturamento caiu 50% em novembro", constatou. Mas os hotéis de uma a três estrelas também lamentam a ausência de hóspedes e alertam para uma crise de graves consequências.

O brasileiro G.A. trabalha exclusivamente com estrangeiros; ele faz translado do aeroporto para hotéis e acompanha os viajantes por Paris, em seu carro de luxo. "Estou muito inquieto com a situação. Meu faturamento despencou, estou sem clientes há quase um mês", ele conta.

Os restaurantes também foram fortemente afetados, pois além dos turistas terem desertado da capital, os próprios franceses estão saindo menos, preferindo ficar em casa, em segurança. Dos estrelados aos preferidos dos turistas brasileiros, como o La Coupole, o setor também viu suas reservas caírem pela metade.

O comércio em geral também se queixa do sumiço dos turistas e já preveem começar as liquidações de inverno antes da hora. As compras de Natal representam a grande esperança para os lojistas, que estão com os estoques encalhados.

Apesar deste cenário preocupante, muitos movimentos cidadãos vêm tomando iniciativas para combater o medo como, por exemplo, "Todos ao terraço", para encorajar as pessoas a voltarem a tomar um café ou um vinho nas famosas varandas dos cafés parisienses. Ou ir em grupo com amigos ver um show de rock. São ideias bacanas no espírito "de a vida continua". Mas um certo mal estar continua no ar e acaba faltando um pouco de espontaneidade nisso tudo.

Depois dos atentados, Paris entristeceu. E é bom reconhecer isso, ficar de luto e lembrar dessa moçada toda que morreu porque estava alegre num bar ou num show, bebendo, conversando, cantando, dançando. Sorry, Hemingway, hoje Paris não é mais uma festa.

 

 

 

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