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Lama tóxica causa danos à saúde de população da bacia do Rio Doce

Lama tóxica causa danos à saúde de população da bacia do Rio Doce
 
Lama que invadiu Bento Rodrigues e destruiu a bacia do Rio Doce contém metais altamente tóxicos. REUTERS/Ricardo Moraes

Quase um mês após a pior tragédia ambiental do Brasil, devido ao rompimento da barragem de rejeitos de Mariana (MG), poucas informações foram divulgadas sobre a toxicidade da lama que devastou o município de Bento Rodrigues e poluiu a bacia do Rio Doce. Na semana passada, a mineradora Samarco, propriedade da empresa brasileira Vale e da anglo-australiana BHP Billiton, rejeitou o relatório da ONU que denuncia não só os danos irreversíveis ao meio ambiente, como o descaso das autoridades em relação à saúde da população afetada. A empresa continua alegando que os metais pesados detectados no mar de lodo que invadiu a região não representam risco às pessoas. Mas especialistas entrevistados pela RFI enumeram os problemas de saúde que os metais pesados presentes local já causam à população.

Análises realizadas por instituições públicas nas águas do Rio Doce apontam a presença de elementos como arsênio, chumbo, cromo, zinco, bário e manganês, entre outros, em níveis muito acima dos recomendáveis. Mas alguns órgãos, como o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), se recusam a informar a concentração exata dessas substâncias.

Embora a maior constituição de rejeitos dessa barragem seja de minério de ferro, esse metal não está isolado na natureza, explica Marcus Polignano, coordenador do Projeto Manuelzão de Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. “Na composição do minério de ferro, há outros elementos, como o antimônio, o chumbo, o manganês, entre outros. Em vista da quantidade de lixo tóxico liberado, esses contaminantes acabam adquirindo um peso significativo”, ressalta.

Entre os elementos mais prejudiciais à saúde, Polignano destaca o manganês, metal pesado encontrado 1.180 vezes acima do normal nas águas do Rio Doce. “Dependendo da quantidade, ele interfere em vários funcionamentos do organismo, como nas contrações musculares, por exemplo. Pode acarretar em problemas ósseos e, inclusive, alterar o ritmo cardíaco”, sublinha.

O médico indicou que sua equipe na Universidade Federal de Minas Gerais realiza nesta semana uma análise independente. Os resultados devem ser divulgados nos próximos dias.

Equipe médica detecta vários problemas de saúde no local

O médico Joelson Santos, da brigada de solidariedade da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares e militante do Movimento Sem Terra (MST), trabalha há uma semana prestando atendimento à população da região atingida pela lama de rejeitos em Minas Gerais. Ele enumera os principais problemas de saúde detectados por sua equipe: “Registramos casos de dermatose, conjuntivite, insuficiência renal aguda, entre outros. Possivelmente essas infecções se caracterizarão como crônicas, ou seja, mais prolongadas”, diz.

Entretanto, são os transtornos psicológicos que mais vêm sendo detectados na população. “Esse é o maior problema do adoecimento da população neste momento. Muita gente perdeu suas casas e próximos”, reitera.

Santos reclama da demora da divulgação dos resultados dos estudos, o que considera um descaso das autoridades com a saúde da população. “Falta vontade política para a realização de uma análise mais profunda. Até a semana passada, a Samarco dizia que a lama não era tóxica. Depois, começamos a detectar casos de animais com sinais de neurotoxicidade. Aí, no final da semana, admitiram que havia metais pesados nos rejeitos, mas passaram a dizer que ele não era prejudicial”, relembra.

Ele ressalta que alguns especialistas chegam a falar na presença de partículas radioativas na região. “Trabalhamos com um biólogo que falou na possibilidade de radioatividade na região. Então precisamos de um estudo mais minucioso porque há o perigo de essas substâncias estarem se misturando e se tornando muito mais perigosas do que imaginávamos”, conclui.


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