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Jovens franceses dizem que atentados de Paris mudaram suas vidas

Jovens franceses dizem que atentados de Paris mudaram suas vidas
 
Homenagens às vítimas dos atentados de Paris em frente ao restaurante o Petit Cambodge. REUTERS/Benoit Tessier

Nesta sexta-feira (27), completam-se duas semanas de um dos episódios mais violentos que Paris já viveu: os atentados do 13 de novembro. Os ataques, que mataram 130 pessoas e deixaram mais de 350 feridos, visaram bairros jovens e populares. Não por acaso, a maioria das vítimas tinha menos de 30 anos de idade. Para os parisienses entrevistados pela RFI, os violentos incidentes vão marcar essa juventude que a mídia francesa apelidou de “geração Bataclan”.

Há exatamente duas semanas, um grupo de jihadistas atacava quase que simultaneamente cinco locais na capital francesa: o primeiro alvo foi o Stade de France, em Saint-Denis, periferia de Paris, onde a França enfrentava a Alemanha em um amistoso. Depois, foi a vez de bares e restaurantes do 10° e 11° distritos de Paris serem metralhados, além do massacre na sala de shows Le Bataclan, onde 1.500 pessoas assistiam à apresentação do grupo californiano de rock Eagles of Death Metal. Só neste local, 90 pessoas morreram.

Duas semanas após os violentos incidentes, a vida começa a retomar a rotina, os parisienses voltam a ocupar as ruas, metrôs, bares e cafés; os shows e espetáculos voltam a ser realizados. Mas a memória dos incidentes ainda é muito presente no cotidiano das pessoas.

As homenagens às vítimas se tornaram praticamente incessantes nos estabelecimentos que foram alvos dos ataques e na Praça da República, símbolo da resistência contra o terrorismo desde os atentados de janeiro. Diante desses locais, os moradores da capital francesa continuam a expressar toda a sua emoção, e principalmente sua incompreensão com a escolha de jovens como alvo dos massacres.

Geração Bataclan

A RFI saiu às ruas da capital francesa para saber o que pensa a própria “geração Bataclan” sobre os violentos incidentes.

As amigas Agathe Chardonnereau e Julie Bardon, de 18 e 20 anos, deixavam um cartaz com uma mensagem às vítimas na Praça da República na tarde desta quinta-feira (26). Elas disseram que se sentem particularmente abaladas com os ataques porque, como essa juventude parisiense boêmia, elas saem muito, frequentam bares e vão a muitos shows. “Estaria mentindo se dissesse que eu não sinto medo quando saio, ainda estou muito tensa. Mas isso não vai me impedir de continuar vivendo a minha vida, de me divertir, e de mostrar a esses 'moços' que ainda estamos aqui”, diz Agathe, evitando chamar os agressores de “terroristas”.

A estudante canadense Julia Colucci mora na rua Bichat, onde dois restaurantes foram atacados, o Petit Cambodge e o Casa Nostra, no 10° distrito de Paris. Ela nos contou que ouviu de casa os barulhos de metralhadora e os gritos desesperados das pessoas nas ruas. Um amigo dela ficou ferido.

Duas semanas depois, ela nos relatou como está a rotina dos moradores do bairro. “Estamos todos ainda muito fragilizados. Acho muito bonitas todas essas homenagens às vítimas, essa solidariedade. Mas ontem, desde o dia 13, foi a primeira vez que eu consegui passar aqui na frente porque eu não quero lidar com o que aconteceu bem aqui na minha rua. Noto que pouco a pouco as pessoas estão voltando a viver normalmente, mas penso que o que aconteceu vai continuar para sempre na cabeça de cada um. Ainda pensamos muito nessa noite do 13 de novembro”, diz.

Pensar positivo para superar o trauma

Retomar a rotina não é tão óbvio para quem viveu os ataques. Laurent Lafont-Battesti estava no Bataclan no fatídico dia 13 de novembro. À RFI, ele contou que ganhou o ingresso para assistir a Eagles of Death Metal de um amigo que comprou a entrada, mas no último momento não pode ir ao evento.

O mesmo amigo aconselhou que, se Laurent desejasse assistir tranquilo ao show, que escolhesse um lugar sentado no mezanino da sala. “A apresentação é muito animada, diante do palco, haverá muitos jovens dançando e pulando”, Laurent relembra o conselho do amigo, que já conhecia o show do grupo. “E como já tenho mais de 40 anos, aceitei a recomendação de meu amigo”, declara, emocionado, ressaltando que talvez esse conselho tenha salvado sua vida.

Como a maioria das pessoas na sala, Laurent diz que demorou a perceber que os barulhos de metralhadora não faziam parte da encenação. Quando as pessoas começaram a cair no espaço em frente ao palco, o grupo que estava no mezanino conseguiu subir ao andar seguinte e encontrar uma abertura para o teto da sala. Pela pequena janela, dezenas de pessoas passaram uma por uma, enquanto o tiroteio continuava no andar abaixo. Ele lembra que o grupo teve a preocupação de passar as mulheres primeiro. Laurent foi um dos últimos a subir. O que mais o marcou nesse episódio foi um homem que durante todo tempo em que o grupo passava pela pequena abertura, bloqueou a porta que dava acesso a essa parte da sala. “Esse, sim, é o verdadeiro herói. Ele seria o primeiro a morrer se um terrorista nos surpreendesse. E ele foi o último a subir.”

Para Laurent, se algo de positivo pode ser retirado essa experiência é o comportamento solidário e corajoso das pessoas. “Em nome da minha saúde psicológica, para que a raiva não me domine, eu me atenho às belas coisas que eu pude ver nessa noite. No momento em que corriam risco de morte, as pessoas pensaram em ajudar os outros. É isso que pode me ajudar a superar esse trauma. Não quero me concentrar no comportamento desses monstros que nos atacaram”, diz.

“Poderia ter sido eu”

A estudante Morgane Le Gall tem apenas 17 anos e além de enfrentar tão jovem os duros ataques que aconteceram em locais que ela costuma frequentar, a garota tem que lidar com a perda de um amigo que morreu no Bataclan. “É muito difícil. Era alguém cheio de vida, que tinha a vida inteira pela frente. Mas tento não pensar sobre isso todo o tempo para não ter que parar de viver por conta do que aconteceu”, declara.

A jovem reconhece que o sentimento de choque ainda é presente, especialmente porque a região dos atentados é um local onde sempre se encontra com amigos. “Essa região em torno da Praça da República é um local muito frequentado pelos jovens, onde eu costumo ir bastante, bem menos depois dos atentados. É extremamente doloroso passar em frente dos locais onde as pessoas foram mortas ou feridas. Tenho essa sensação estranha e permanente de que poderia ter sido eu.”


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