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El Niño mais intenso desde 1998 provoca estragos do norte ao sul do Brasil

El Niño mais intenso desde 1998 provoca estragos do norte ao sul do Brasil
 
El Niño provocará fortes incêndios na Amazônia Reuters

A Organização Meteorológica Mundial divulgou nesta semana, em Genebra, na Suíça, um relatório sobre o atual episódio do El Niño, o mais poderoso desde 1998. O El Niño é um fenômeno climático, de caráter atmosférico-oceânico, em que ocorre um aquecimento fora do normal das águas do oceano Pacífico equatorial. Isso provoca um aumento elevado da temperatura, além de situações climáticas extremas, como graves secas e inundações devastadoras, em várias regiões do mundo.

As mudanças climáticas do planeta, segundo o relatório, pontencializaram os efeitos do El Niño - que ganhou força em outubro, atingirá seu pico em dezembro e durará até março.

Clare Nullis, diretora de comunicação da Organização Meteorológica Mundial, revela quais países e regiões do mundo serão mais afetados e como. "Quanto mais perto do oceano Pacífico equatorial maior será o impacto. Para dar um exemplo, o sudeste asiático é uma região altamente afetada, com redução das chuvas em países como Indonésia e Malásia. É o que já estamos observando nesses lugares. Na Indonésia tem ocorrido incêndios devastadores, que são exacerbados pela seca provocada pelo aquecimento causado pelo El Niño. A Austrália também sofre uma queda pluviométrica drástica, como já estamos vendo este ano."

Ela comenta os impactos na América do Sul, no Caribe e na América Central. "O Caribe e partes da América Central tipicamente sofrem uma grande redução das chuvas, e é o que já está acontecendo este ano. Em partes da América do Sul podemos esperar chuvas torrenciais e inundações. Para dar dois exemplos, o Equador e o Peru geralmente têm fortes chuvas. Outro grande impacto no Peru é na indústria da pesca. A quantidade de anchovas, que são importantes para a economia, diminui drasticamente."

Brasil e Amazônia

O Brasil também será prejudicado pelo fenômeno, de norte a sul. Quem explica é Marcelo Seluchi, pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, com sede em Cachoeira Paulista (SP): "A região Nordeste do Brasil está sofrendo uma das piores secas da sua história, associada ao El Niño, que está causando terríveis impactos na agricultura e no abastecimento humano. O outro lado da moeda é a região Sul, que sofre inundações históricas, como no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Essas enchentes deixaram milhares de desabrigados e estradas danificadas. É uma situação bastante difícil. É um ano particularmente complicado em termos de extremos climáticos".

A Amazônia oriental deve ser afetada pela falta de chuvas. "Chove muito menos que o normal, especialmente nas partes central e leste. No extremo oeste, chove mais ou menos dentro da normalidade. A falta de chuvas representa um problemas porque baixa o nível dos rios em uma região onde a grande parte do transporte é fluvial, porque não há muitas estradas. Então dificulta muito o envio de alimentos e medicamentos, todo o comércio é afetado", diz Seluchi.

O fenômeno causa também fortes impactos ambientais na região, como explica o pesquisador. "Há uma proliferação de grandes incêndios, com perda de áreas muito grandes de floresta preservada, perda da qualidade do ar através da fumaça e liberação de grande quantidade de CO2, que vai ter um efeito negativo sobre as mudanças climáticas."

O El Niño foi em parte responsável pelo furacão Patricia, que atingiu o México no último 24 de outubro, com ventos de até 270 km/h e chuvas torrenciais, deixando um saldo de seis mortos.


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