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Geral

Desesperança com a política leva franceses a votar na extrema-direita

media Sobrinha de Marine Le Pen, Marion Marechal Le Pen é candidata na região de Provence-Alpes-Cote d'Azur. REUTERS/Jean-Pierre Amet

A um mês das eleições regionais na França, um fenômeno está deixando os políticos dos partidos tradicionais aflitos: os candidatos do partido de extrema-direita Frente Nacional (FN) ganham adesão até sem fazer campanha. Para os representantes do Partido Socialista (PS) ou dos Republicanos (LR), uma “desesperança maluca” em relação à política leva cada vez mais franceses a votar na FN como sinal de protesto.

O assunto é tema de uma reportagem do jornal Le Monde deste fim de semana. O diário relata que, em diversas regiões da França, os candidatos do partido de extrema-direita sequer se dão ao trabalho de discutir propostas, confortados pelo apoio crescente junto à população. “Impotentes, desarmados”, os candidatos dos partidos tradicionais estão perdidos diante do avanço da extrema-direita. “A FN sequer faz campanha nas ruas, e só conta com a imagem de Marine Le Pen [a presidente da sigla]”, indica o candidato Philippe Vigier, que concorre na região de Centre-Val de Loire pelos Republicanos.

Le Monde explica que, em tempos de crise e de desconfiança em relação aos políticos em geral, o caminho fica mais livre para os representantes da extrema-direita, que, quase sempre, têm o álibi de jamais terem ocupado o poder – portanto, não podem ser cobrados por gestões anteriores. Os governos de direita ou de esquerda não têm conseguido inverter os números do desemprego, enquanto os impostos não param de aumentar e os orçamentos locais estão em constante queda.

Eleitores desmotivados e revoltados

Outro candidato republicano, Arnaud Danjean, diz que, hoje em dia, há dois tipos de eleitores: os que não têm vontade de ir votar e os que, quando se dirigem às urnas, colocam uma cédula para a Frente Nacional. O centrista Maurice Leroy, do partido UDI, constata que, além de a participação eleitoral estar em baixa, aqueles que decidem votar é porque estão “muito descontentes”. “Eles vêm votar para dizer ‘dane-se o sistema’ e ‘não aguento mais vocês’”, afirma.

Como outros candidatos citados na reportagem, Leroy percebe que a crise dos refugiados caiu como uma luva para a Frente Nacional. “As imagens dos migrantes na televisão fazem os eleitores ficarem com medo”, observa o centrista. A socialista Karine Berger, da região de Hautes-Alpes, sente que “não há mais controle da xenofobia” dos eleitores, enquanto Philippe Gosselin, dos Republicanos, percebe que nada que os candidatos da esquerda ou da direita digam ou façam parece surtir resultado para atrair a atenção dos eleitores. “É muito frustrante. Temos a impressão de tentar subir uma escada suja de óleo, enquanto Marine Le Pen segue uma trajetória concreta, tem uma dinâmica”, lamenta o candidato, da região da Mancha.

Frente Nacional é vista como a solução para os problemas

Ao Le Monde, Thierry Solère resume o mal-estar: “Agora é assim: ‘alguém me incomodou no trânsito? Vou votar na FN’, ‘Minha mulher está me traindo? Vou votar na FN’. ‘Minha empresa não teve lucro? Vou votar na FN’”, conta. O candidato do LR percebe que os eleitores não querem mais debater estratégias para a região: eles apenas se preocupam em resolver problemas imediatos, como tapar um buraco na estrada.

Segundo uma pesquisa de intenções de votos publicada nesta sexta-feira (6) pelos institutos Ipsos-Sopra Steria, a Frente Nacional deve ficar em segundo lugar nas eleições regionais, com 26% dos votos, à frente do Partido Socialista, do presidente François Hollande, que teria 20%. De acordo com a pesquisa, o partido de direita Republicanos deve vencer o pleito, com 32% dos votos.
 

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