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"Não há espaço para a generosidade na Europa", diz Mujica em Paris

 
O ex-presidente uruguaio, José Mujica, abriu a terceira Conferência "Europa - América Latina" nesta terça-feira (27) em Paris. Daniella Franco/RFI

"Não há espaço para a generosidade da Europa": essa foi uma das várias declarações impactantes do ex-presidente José Mujica nesta terça-feira (27), durante a terceira Conferência "Europa - América Latina", realizada na Sciences Po de Paris. Com o tema  "Os Novos Desafios das Relações Inter-regionais", o evento contou com mesas redondas e a participação de representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Centro de Pesquisas Internacionais (Ceri), do Observatório Político da América Latina e do Caribe (Opalc) e de pesquisadores e professores da Sciences Po.

O grande destaque do evento foi a conferência magistral, ministrada pelo ex-presidente uruguaio, José Mujica. Diante de um auditório lotado, ele criticou os dirigentes europeus, que classificou de imperialistas e desdenhosos diante as desigualdades no mundo. Para Mujica, "não há espaço para a generosidade na Europa". Por isso, segundo ele, as relações com América Latina não evoluem. "Minha visão não é muito otimista, me desculpem. Mas não posso deixar de dizer o que penso", reiterou.

O ex-presidente uruguaio fez um apelo para que os líderes europeus abram "uma porta negociadora" com a América Latina e ressaltou as falhas da Europa com os países latino-americanos nos últimos anos. "Não creio que para a humanidade existe maior política do que a solidariedade", disse diante de uma plateia que o aplaudiu de pé durante mais de um minuto.

Mujica também criticou integração entre os países latino-americanos : "O sonho de integração é velho na América Latina, tão difícil quanto a independência", declarou. "Ao redor de cada porto importante da América Latina nasceu uma cidade ou mesmo um país. As capitais são portos: por quê? Porque nossa independência política coincidiu com o nascimento do mercado mundial. E desde o começo, nos viramos para um mundo comercial, mas não entre nós. Prova disso é que mais ou menos 20% de nosso comércio é feito entre nós e 80% com o resto do mundo", reiterou.

Políticas progressistas

Para o professor de Ciência Política da Sciences Po e co-organizador do evento, Olivier Dabène, a escolha de Mujica para abrir a conferência não representa necessariamente um posicionamento político da entidade, mas uma necessidade de discussão de políticas alternativas e progressistas.

"A Sciences Po tem recebido vários presidentes de esquerda, como Evo Morales, Michelle Bachelet, Rafael Correa. Pepe Mujica é uma grande figura política no mundo inteiro, não apenas na América Latina. É um grande honra tê-lo aqui, não só como uma figura importante da esquerda, mas como um líder que tem uma forma diferente de fazer política."

Falta de cooperação entre Europa e América Latina

Os palestrantes latino-americanos e europeus foram unânimes em ressaltar a falta de cooperação entre as duas regiões nos últimos anos. Para o ex-primeiro-ministro italiano e membro da Escola de Relações Internacionais da Sciences Po, Enrico Letta, um aspecto pode facilitar as relações entre as duas zonas: a saída da Europa da crise econômica. Já a crise da imigração pode ser um novo empecilho. "Depois de oito anos, a Europa está saindo da fase mais dura da crise do euro. O que é uma boa notícia para a retomada das relações com a América Latina. Por outro lado, entramos em outra crise: a da imigração e dos refugiados. Então, os políticos europeus vão concentrar muita energia nessa questão nos próximos anos."

Para Letta, no entanto, é preciso que os acadêmicos também se envolvam para a retomada das relações entre as duas regiões. "Eu sei que quando falamos de política, nossa tendência é criticar, dizer que as coisas não vão bem e o que os outros devem fazer. Mas é preciso pensar também no que nós podemos fazer. Já que estamos aqui, em um ambiente universitário, nós também podemos fazer nossa parte para que as coisas melhorem entre a Europa e a América Latina", salientou.

Cúpulas vem aproximando latinos e europeus

A realização de cúpulas entre os dois continentes têm sido fundamental para essa aproximação, ressalta a secretária-geral iberoamericana, Rebeca Grynspan. A última delas foi realizada em junho em Bruxelas.

"A América Latina tem muito a oferecer e é muito competente no campo da educação, da ciência, da tecnologia: esses são seus diferenciais hoje. E, como discutimos durante as cúpulas, isso nos une à Europa e torna nossa parceria essencial. Aumentamos mais de 5% nosso PIB nos últimos anos, o que gerou uma inversão social inédita. Com esse fenômeno, nos tornamos uma América Latina mais poderosa e que exige uma relação maior, mais horizontal e distinta", defendeu Grynspan.


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