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FIAC: arte contemporânea vai de poucos milhares a milhões de euros

FIAC: arte contemporânea vai de poucos milhares a milhões de euros
 
Obra da artista chinesa Huang Yong Ping atrai olhares na Fiac. AFP PHOTO/François Guillot

Você sempre quis saber quanto custa um Pablo Picasso, um Salvador Dalí ou um Andy Warhol? A resposta está na FIAC, a Feira Internacional de Arte Contemporânea, um dos maiores eventos mundiais para o mercado artístico, que abriu as portas nesta quinta-feira em Paris. Nos corredores do Grand Palais, artistas conceituados e jovens nomes estão lado a lado, em busca do olhar dos compradores.

São 3,4 mil artistas de 175 galerias francesas e estrangeiras. Na galeria Natalie Seroussi, estão à venda obras dos principais ídolos do século 20.

“A obra mais barata é o Raoul Ubac, a 20 mil euros, e a mais cara é um Soulages de 1966, que está por 1 milhão e 400 mil euros. Ou seja, tem bastante diferença”, explica Lisandre, um dos funcionários. “O preço depende da obra. As de arte contemporânea que estão na frente do stand são para grandes colecionadores, que procuram uma obra específica de um determinado artista, ou uma fotografia única que se encaixa na coleção dele.”

Os valores podem ser bem mais acessíveis – tudo depende do quanto o artista é conhecido. Neste ano, quatro galerias brasileiras marcam presença, como a Raquel Arnaud, de São Paulo – uma habituée da feira parisiense.

Espaço para a arte brasileira

“Os nossos preços, comparados com o mercado europeu e americano, são modestos. Temos trabalhos de 3 mil euros até 400 mil euros. De uns 10 anos para cá, existe um olhar mais específico para a produção artística brasileira”, explica a gerente Yannick Carvalho. “Há colecionadores estrangeiros interessados na arte contemporânea brasileira, que vêm e compram. Acho que é uma questão de uma maior convivência e uma troca mais frequente, para ir se consolidando.”

Carvalho observa que, em geral, os compradores da Fiac já são colecionadores e têm um olhar apurado para a arte. Ela destaca que o evento é uma excelente oportunidade para mostrar os artistas brasileiros.

“Fora o Jesús Soto e o Carlos Cruz-Díez, que são venezuelanos, e o Wolfram Ullrich, alemão, que nós representamos, todos os demais são brasileiros. Temos Arthur-Luiz Piza, Waltércio Caldas, Célia Euvaldo, Cassio Michalany, Julio Vilani, Geórgia Kyriakakis, Sérgio Camargo, Sérvulo Esmeraldo.

Em uma localização privilegiada da Fiac, a galerista Luisa Strina optou por trazer apenas um artista, o argentino Jorge Macchi. Instituições e museus europeus costumam ser bons clientes, segundo a paulista.

“A competição aqui é muito grande, porque nós somos estrangeiros e aqui a maioria dos compradores são franceses ou suíços. Os preços variam: tenho aquarelas de 9 mil dólares até um trabalho que está por 80 mil dólares, feito com uma régua e fios de seda”, afirma.

Visitantes “comuns”

Nem só de clientes é feita a Fiac: a feira também recebe milhares de visitantes apenas interessados em conhecer novos artistas. É o caso da parisiense Claire Morel. “Acho que a arte não tem preço, em todos os sentidos. Um trabalho que custa 20 euros pode ser magnífico, mas um artista que vende barato não atrai clientes. Acho que começa a contar a partir de 500 euros”, avalia.

A aposentada Michelle Laforêt nem se importa em saber quanto valem as obras: ela encara o evento como se estivesse em um museu. “Fico muito feliz em ver tantos artistas que eu gosto à venda. Vi Giacometti, Picasso, Calder e muitos outros. Mas não venho para comprar: não quero nem saber desse lado comercial, que não me interessa nem um pouco”, brinca.

Jovens artistas

No primeiro andar, outra galeria brasileira, a Mendes Wood DM, prefere não falar em preços. No stand, a diretora Maria Eugênia Abàtayguara mostra obras dos jovens paulistas Paloma Bosquê e Lucas Arruda e do inglês Michael Dean, que dialogam com o trabalho de Willys de Castro.

“A galeria é jovem, tem cinco anos, e trabalha com artistas jovens. Por isso, nenhum dos trabalhos vai chegar a milhões”, ressalta. “Tentamos trabalhar com artistas que tenham uma faixa de preços flexível. O Willys de Castro, que é dos anos 1950, é o mais caro. Já a Paloma, de 30 anos, evidentemente é mais barata. Não costumamos liberar preços, mas com certeza pode ser acessível.”

O importante, sublinha, é não ter medo de perguntar. A Fiac acaba neste domingo (25).
 


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