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Urbanismo selvagem contribuiu para inundações na Côte d'Azur

Urbanismo selvagem contribuiu para inundações na Côte d'Azur
 
As inundações no sudoeste da França causaram mortes e destruição.. REUTERS/Eric Gaillard

A Côte D'Azur, conhecida no mundo inteiro pela beleza de suas praias e paraíso de turistas e aposentados endinheirados, viveu um verdadeiro inferno no primeiro fim de semana de outubro, com inundações históricas causadas por chuvas torrenciais.

 

As cidades de Cannes, Antibes, Mandelieu-la-Napoule e Nice acordaram com um cenário catastrófico: casas destruídas, carros jogados uns sobre os outros, árvores arrancadas, um mar de lama, enfim, uma destruição nunca vista na região. Vinte pessoas morreram afogadas em suas casas térreas, estacionamentos subterrâneos ou arrastadas pelas enchentes.

Pavimentos x absorção das águas

Diante de um drama dessas dimensões, a pergunta é inevitável: por quê?

Várias vozes denunciam o urbanismo galopante e selvagem dos últimos 40 anos, como confirma Christine Varon-Canicio, professora de Geografia na Universidade de Nice, especializada em riscos urbanos. Ela explica que as superfícies pavimentadas não absorvem mais a água das chuvas.  "Quanto mais a pavimentaçao aumenta, mais estradas são criadas, as áreas verdes se tornam residenciais, cada vez mais artificiais, então a água não pode mais ser absorvida e as sarjetas e as canalizações que devem coletar essa água são saturadas rapidamente. Aí tudo transborda... as tampas dos esgotos se abrem com a pressão e a água inunda o coração das cidades que não são necessariamente próximas de córregos e rios; elas são inundadas por essas águas que vêm de todos os lados e, é claro, verticalmente, com as chuvas, como aconteceu no centro dessas cidades...", diz a professora.

Pressão imobiliária

A Côte D'Azur é uma das regiões mais atraentes para os investidores e esta valorização crescente de palacetes e condomínios acabou causando uma pressão imobiliária selvagem que não levou em conta o meio ambiente. Será que algo ainda pode ser feito para conter essa urbanização desenfreada?

"Há uma enorme densidade populacional, e isso não apenas na Côte D'Azur, mas em toda a costa mediterrânea e mesmo a costa atlântica, que não está protegida deste fenômeno em certas áreas. Essa densidade provoca o aumento da vulnerabilidade ambiental e acho que temos que passar para um outro nível de reflexão urbana. Esse outro nível passa também pela educação da população, ela deve ser conscientizada dos comportamentos a serem adotados diante de situações de alerta e não apenas contarmos com planos de risco, documentos sobre urbanismo...", observa a geógrafa.

A professora se refere à reação de diversas pessoas que, diante do Alerta Laranja, do serviço de Meterologia da França, correram para os estacionamentos nos subssolos para pegarem seus carros e acabaram morrendo afogadas com a invasão violenta das águas.

Alertas da Meteorologia na França

O Serviço de Meterologia da França está sendo criticado por ter dado primeiro o Alerta Laranja, que não correspondia à gravidade da situação.

Na França há dois tipos de alerta de mau tempo: os pré-alertas e os alertas máximos. Os pré-alertas são dados 48 horas antes, quando fenômenos podem acontecer mas em intensidades e trajetórias diferentes.

Já em caso de alerta máximo, os meteorólogos têm certeza que o mau tempo vai acontecer. São três níveis de alerta; o laranja, que indica mau tempo de intensidade moderada, o vermelho, de intensidade forte, e o nível máximo, o violeta, que indica um fenômeno muito forte.

Depoimentos

Christine Ferret, moradora de Biot, um dos vilarejos mais atingidos pelas inundações, pegou na pá e no balde para tirar a lama de sua casa semi-destruída. "A água subiu em dez minutos. O tempo de receber as informações, o que poderíamos ter feito? Não teria dado para salvar nada, pois em dez minutos você não salva nada", ela constata, com amargura.

O brasileiro Valmir da Costa é dono de um restaurante brasileiro em Nice. Ele conta que inundações não são um fato novo na cidade: "Foi a primeira vez nesses lugares, mas sempre [inundações] aqui em Nice, nas encostas, nas cornichas, sempre acontece isso quando tem essa chuvarada forte assim... Às vezes o mar está forte e joga água até na rua, as praias ficam inundadas, os restaurantes de praia ficam inundados...", diz Valmir.

 

 

 

 

 

 

 


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