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Bandeira palestina é hasteada na sede da ONU em Nova York

Bandeira palestina é hasteada na sede da ONU em Nova York
 
Manifestantes agitam bandeiras palestinas na Times Square, em Manhattan, no último dia 18 REUTERS/John Taggart

Nesta quarta-feira (30), a bandeira da Palestina será hasteada ao lado das outras 193 que flamulam diante da sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York. O gesto simbólico foi decidido pela grande maioria dos membros da ONU, à exceção de oito países, encabeçados por Estados Unidos e Israel. Apesar de o primeiro ministro palestino, Rami Hamdallah, ter classificado o içamento da bandeira como "um passo em direção ao reconhecimento da Palestina como membro pleno da ONU", ele acontece num momento de ceticismo do povo palestino em relação às vias políticas.

Uma pesquisa recente apontou que 57% deles apoiariam uma revolta armada, número parecido com o registrado dois meses antes da segunda Intifada. E cerca de 80% pensam que os árabes não se importam com a questão palestina. O chefe do Departamento de Relações Internacionais da PUC São Paulo, Reginaldo Nasser observa que "tanto a opção pela luta armada quanto outras percepções de desapontamento em relação à resolução para a criação do Estado palestino cresceram muito nos últimos quatro ou cinco meses".

Para o professor, isso decorre sobretudo da intensificação, nos últimos meses, da repressão e da ocupação israelenses, que geram descrédito na diplomacia, beneficiando discursos mais radicais: "por volta de maio do ano passado, antes do conflito em Gaza, quando já se anunciavam eleições, o Hamas e o Fatah estavam em baixa. Havia um candidato palestino na prisão que tinha mais votos que eles. Depois da revolta de Gaza, o Hamas subiu em aprovação. Todos esses fatos acabam denegrindo a luta diplomática e pacífica pelo Estado palestino".

Crise de representatividade

Neste contexto, não chega a supreender a vertiginosa queda de popularidade da Autoridade Palestina e do presidente Mahmoud Abbas, que dois terços dos palestinos querem ver fora do cargo. Mesmo responsáveis da AP têm declarado sob condição de anonimato que a organização tem autoridade "só no nome", já que Israel têm esfacelado qualquer ideia de uma solução a dois Estados.

"A queda da Autoridade Palestina, quando ela acontece, sempre tem outras razões", estima Reginaldo Nasser. "Há uma reação contra a forma de governo da Autoridade Palestina: há muito tempo, existem acusações de corrupção; por vezes, eles não aparecem como defensores que não medem esforços pela causa palestina; volta e meia, Mahmoud Abbas se ausenta".

Assim, reforça-se a ebulição popular e começa a se evocar uma terceira Intifada, risco que "sempre existe", na opinião de Nasser. "É uma situação cada vez mais repressiva, um cotidiano violento", aliados à falta de perspectiva política. "A Intifada acaba, como sempre foi, sendo um movimento de mobilização popular que passa por cima das lideranças. Acredito até que é bem vindo o movimento popular. Não é nenhuma ação terrorista, é um movimento não-armado. Por outro lado, o passo seguinte que é ter uma liderança representativa disso ainda não se articulou, não tem um partido, não tem uma organização". Em outras palavras, não há uma nova via que possa ocupar o vácuo representativo de Hamas e Fatah.

Neste contexto, o hasteamento da bandeira é mais um entre vários gestos simbólicos para os quais os palestinos têm cada vez menos paciência. "Cada vez que acontece um pequeno fato, as pessoas tendem a comemorar. Chega de questão simbólica. Hoje está lá a bandeira, mas se você abrir os jornais, estará lá: 'ontem, dois palestinos mortos'".


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