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Campanha francesa faz apelo por mais ruas com nomes de mulheres em Paris

Campanha francesa faz apelo por mais ruas com nomes de mulheres em Paris
 
A associação Osez le Féminisme rebatizou as ruas da Ile de la Cité com nomes de mulheres na semana passada. @comsolidarite

Uma campanha da associação francesa Osez le Féminisme teve uma forte repercussão na França. Denunciando que apenas 2,6% do espaços públicos de Paris levam nome de mulheres, militantes propõem que até 2019 ruas e praças da capital passem a homenagear mulheres e homens na mesma proporção.

Para chamar a atenção das autoridades e da opinião pública, na semana passada, membros da associação renomearam algumas ruas da Île de La Cité, no centro de Paris. Foi assim que grandes mulheres que marcaram a História, como a escritora Simone de Beauvoir, a cantora Nina Simone, e a artista plástica Niki de Saint Phalle, foram homenageadas.

A mudança foi temporária, as placas das ruas foram substituídas apenas por um dia. Afinal, a decisão de rebatizar os espaços públicos cabe apenas à prefeitura. Mas, segundo a porta-voz da Osez le Féminisme, Marie Allibert, a ação teve tanto sucesso que foi elogiada até mesmo pela prefeita Anne Hidalgo.

"Em sua conta no Twitter ela publicou que, desde 2014, quando assumiu a prefeitura da capital, 61% das novas ruas de Paris foram batizadas com o nome de mulheres. Mas queremos que essa política vá além disso, por isso que calculamos exatamente quantas ruas hoje homenageiam mulheres. E o prazo que demos para que o espaço público da capital seja igualmente dividido entre os dois sexos, 2019, coincide com o final do mandato da prefeita", explicou em entrevista à RFI Brasil.

Apenas 2,6% das ruas de Paris levam nomes de mulheres. @DavReveillault

Parisienses apoiam a iniciativa

O movimento também ganhou força nas redes sociais e na mídia francesa. Confirmamos esse sentimento ao conversar com alguns parisienses nas ruas da capital francesa. Os moradores que entrevistamos foram unânimes ao demonstrar apoio à ideia de homenagear mais mulheres nos espaços públicos da capital.

Para Maeva Benjamin, Paris deve servir de exemplo para toda a França: "Especialmente aqui na capital francesa, seria ótimo se tivéssemos mais nomes des mulheres nas ruas. Somos tão importantes quanto os homens na sociedade", ressaltou.

A parisiense Anne Servais acredita que a falta de valorização das mulheres nas ruas reflete o que acontece na sociedade: "É no mundo inteiro que as mulheres não são valorizadas, não só na França. Somos exploradas desde a criação do mundo. O que acontece é que as mulheres são tão inteligentes que os homens ficam medo, então, eles querem nos privar de nossos direitos!".

O apoio também vem da ala masculina. Timothée Joly disse que a supremacia dos homens nos espaços públicos é algo que chama sua atenção. "É verdade que encontramos muitas ruas com nomes de homens, enquanto quase nunca vemos nomes de mulheres. É preciso mudar essa situação e, claro, igualar as coisas", declarou.

No entanto, alguns dos parisienses entrevistados, como o jovem estudante Louis Souvestre, disseram nunca terem percebido essa desigualdade nos espaços públicos. Para ele, isso é uma forma de normalizar o preconceito na sociedade. "Sei que há uma desigualdade entre os salários dos homens e das mulheres, mas nunca tinha parado para pensar que esse problema também está nas ruas. É preciso lutar contra isso, tanto homens como mulheres devem ser homenageados. Espero que essa situação melhore com a campanha."

O peso da tradição

Para a porta-voz da Osez le Feminisme, o principal objetivo da campanha é exatamente esse : a conscientização de que mulheres e homens devem ter o mesmo espaço não só nas ruas, mas na sociedade. "Estamos inseridos em esquemas tão tradicionais e considerados 'normais' que ninguém presta atenção que essa desigualdade é quotidiana. Mas, quando chamamos a atenção das pessoas, elas percebem que há um problema", ressalta.

Para ela, a questão da escolha dos nomes das ruas é importante porque mostra quem a sociedade quer valorizar. "Batizar uma rua é homenagear pessoas que fizeram coisas importantes. E se não há mulheres homenageadas, a mensagem é de que elas não têm espaço na sociedade. Mudar essa consciência é mostrar às gerações futuras que as mulheres têm sim um grande papel no mundo", preconiza.

Apenas 160 francesas nas ruas de Paris

Em Paris, a maior parte das 160 francesas homenageadas são filhas ou esposas de homens influentes ou famosos. Dentro do metrô, essa desigualdade é ainda maior : nas 300 estações da região parisiense, apenas uma é batizada com o nome de uma mulher: a militante política Louise Michel, uma das principais personalidades revolucionárias do país nos anos 1860.

Em toda a França, apenas 2% dos espaços públicos levam nomes de mulheres.


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