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Equador: indígenas se revoltam e marcham por mais direitos

Equador: indígenas se revoltam e marcham por mais direitos
 
Índios equatorianos alojados no chão de uma igreja em Quito, após marcha de protesto, no dia 11 de agosto de 2015. REUTERS/Guillermo Granja

Esta é a semana do pesadelo para o presidente do Equador, Rafael Correa. Depois de oito anos no poder, ele enfrenta a voz da oposição nas ruas: os indígenas lançaram no dia 10 de agosto um levante, marchando rumo à capital Quito, onde se unirão a diversos sindicatos em uma greve geral marcada para a quinta-feira (13).

 

Dez dias depois de partirem a pé da província de Zamora, no sul do país, milhares de indígenas estão em Quito, em um movimento classificado como uma rebelião, lançada oficialmente pelo presidente da Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador, Jorge Herrera. Durante a caminhada para a capital, ele explicou que o movimento é nacional e que as comunidades indígenas vão se rebelar nas 23 províncias do país.

"Começamos a nossa marcha com três mil pessoas na província amazônica de Zamora Chinchipe, e hoje somos mais de 30 mil participando deste levante, que não é como o levante dos índios nos anos 90. Este é um levante do povo equatoriano e estamos unidos com os setores urbanos, estudantes, pequenos comerciantes, pequenos produtores. Estamos todos unidos."

Reivindicações

Quais as demandas que levaram os indígenas a uma ação tão radical?  "Pedimos a retirada do pacote de emendas constitucionais, em trâmite atualmente no Congresso, que tem maioria do governo. Isso permitirá a Correa competir por um novo mandato, em uma reeleição sem fim. Outro ponto é que o governo nos tem negado o direito histórico da educação cultural bilingue e restringido o direito de frequentar as universidades públicas do Equador", explica Herrera. "Estamos exigindo que saiam as empresas de minérios e petrolíferas que tanto afetam os povos da Amazônia. Por último, denunciamos a corrupção comos política de Estado: criaram 29 ministérios! Estamos cansados destas medidas econômicas, do custo alto da vida, das tarifas de gás e eletricidade, do preço dos transportes."

Os indígenas tambem pedem o arquivamento de medidas administrativas sobre o uso da água e da terra que os proíbem de explorar esses recursos em seus próprios territórios.

Correa se coloca como vítima

O presidente Rafael Correa, por seu lado, declara ser vítima de uma tentativa de desestabilização de seu governo e pediu aos indígenas que não fechem as estradas do país, impeçam a circulação e destruam os bens públicos. Relembrando a revolta de um grupo de policiais em 2010, ele lançou um alerta aos índios e aos outros grevistas.

"Hoje enfrentamos outra prova. Se o governo não atende às expectativas, o presidente Correa tem que partir. Por isso as marchas estão sendo realizadas. O mesmo acontece com uma elite trabalhadora que representa menos gente, os trabalhadores a rejeitam. Eles estão conosco, que eliminamos a terceirização, subimos os salários etc. Nunca marcharam contra a exploração dos trabalhadores, agora marcham contra este governo."

Apesar da aparente segurança, o presidente equatoriano reconhece que o país está atravessando a crise política mais difícil que ele enfrentou em oito anos de governo.

 


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