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Geral

Fechar Guantánamo é a “insustentável promessa” de Obama

media Manifestante protesta contra Guantánamo em frente à Casa Branca. REUTERS/Larry Downing

O presidente americano, Barack Obama, saboreia uma série de vitórias tanto na política nacional, quanto na estrangeira: reforma da saúde, casamento gay, acordo nuclear com o Irã, reaproximação com Cuba. Porém, o fim do mandato se aproxima e o democrata pode não conseguir honrar um de seus principais compromissos de campanha, o de que fecharia a prisão de Guantánamo. Em uma reportagem sobre o assunto, o jornal francês Libération diz que essa é a “insustentável promessa” de Obama.

O diário destaca que, para alguns analistas, as últimas conquistas do presidente americano fizeram ele enfim merecer o prêmio Nobel da Paz, que recebeu em 2009. “Em especial o acordo de Viena sobre o Irã, que ilustra a doutrina Obama, de uma América mais humilde, ligada a uma diplomacia multipolar, e longe – muito longe – do unilateralismo devastador dos anos Bush”, afirma o correspondente do jornal em Nova York, Frédéric Autran.

O texto lembra que, durante a campanha eleitoral de 2007, o democrata assegurou com todas as letras de que fecharia o campo militar americano mantido na ilha cubana. O discurso prosseguia: “Nós vamos mostrar o exemplo, não apenas com palavras, mas com atos. É a nossa visão do futuro”. Ao assumir a presidência, Obama assinou um decreto no qual ordenada o encerramento das atividades “em um ano”.

Poucos libertados

Seis anos depois, a prisão permanece constrangedoramente aberta – abriga 116 homens acusados de serem “inimigos combatentes estrangeiros”. A maioria deles está no local desde 2002, quando se intensificou a ofensiva americana no Oriente Médio, após os atentados de 11 de Setembro de 2001.

Libération explica que 68 dos presos são considerados “perigosos demais” para serem libertados. Do total, apenas cinco foram julgados.

Quanto aos demais 55 que poderiam ser soltos, acabam sendo prejudicados por um procedimento complexo da libertação - seja para os seus países de origem ou para outros países voluntários a recebê-los. O problema é que a terra-natal de alguns presos é considerada inapropriada devido à instabilidade política, como o Iêmen, e o número de governos dispostos a acolhê-los é limitado.

Reabilitação

Além disso, o governo americano determina que um rigoroso programa de reabilitação dos prisioneiros seja adotado, um procedimento caro e complexo. O resultado, destaca Libération, é que apenas 39 foram soltos, a partir de 2014.

Consciente de que um fracasso no fechamento de Guantánamo abalaria o seu balanço de governo, Obama vai apresentar um novo plano de encerramento da prisão. Em linhas gerais, o projeto prevê aumentar o número de detidos que poderão ser libertados, acelerar o envio dos presos para o exterior e enviar os prisioneiros considerados perigosos para o solo americano.

O plano, no entanto, pode esbarrar na resistência republicana. Os conservadores se opõem ao fechamento da prisão. O jornal francês observa que a opinião pública parece dar razão aos republicanos – as pesquisas mostram que, com medo do terrorismo, a maioria dos americanos não concorda com o fim do campo militar. “Uma mancha duradoura na democracia americana, Guantánamo não está perto de fechar as suas portas”, diz o Libération.
 

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