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Expedição francesa vai a “continente de plásticos” no meio do oceano Atlântico

Expedição francesa vai a “continente de plásticos” no meio do oceano Atlântico
 
Equipe ficou quatro semanas no local. Amostras recolhidas serão analisadas na França. http://www.septiemecontinent.com

A acumulação de plásticos nos oceanos é um problema ambiental tão sério que dois focos de poluição em alto mar foram apelidados de sexto e sétimo continentes. Este último fica no Mar dos Sargaços, no meio do Atlântico norte. A área é tão vasta que pode ser comparada com duas vezes a superfície da França. Uma expedição de ambientalistas e cientistas franceses acaba de retornar de lá. O cenário que eles descrevem é desolador.

À primeira vista, tudo parece normal. Mas, na medida em que o barco se aproxima e as primeiras peneiras usadas pela equipe começam a ser retiradas do mar, uma tragédia ambiental se contorna. O plástico, um dos materiais que levam mais tempo para se degradar, aparece na forma de micropartículas devido à ação do sol, das ondas e do passar dos anos.

Esses fragmentos se acumulam em alguns pontos do oceano, em função das correntes marítimas. A sujeira acaba fazendo parte do habitat local, com um impacto ambiental ainda pouco conhecido pela comunidade científica.

O coordenador da expedição Septième Continent, Patrick Deixonne, relata o que viu ao longo de quatro semanas da missão, que conta com a colaboração dos maiores laboratórios científicos da França. Graças à viagem, foi possível cartografar por satélite as zonas poluídas e estudar os movimentos dos plásticos nas correntes marinhas - um trabalho que, apesar de fundamental, é inédito.

O que você viu?
Fomos no giro oceânico do norte do Atlântico para chamar a atenção para essa poluição escondida dos plásticos nos oceanos. Quando chegamos, usando grandes peneiras, capturamos micropartículas de plástico dispersas no oceano. Nós não temos uma visão de um grande lixão – e acho que é por isso que ninguém dá bola para esse problema. Quando estamos no barco, quase não vemos nada. O plástico fica à beira da superfície, até alguns centímetros abaixo do nível da água. Mas, como essa massa é composta basicamente de micropartículas, a gente não consegue ver direito. Porém, quando levantamos a peneira, vemos que há uma quantidade enorme de plástico quase dissolvido na água. É o que chamamos de sopa de plástico.

septiemecontinent.com

Por que essa região concentra tantas partículas?
Porque as correntes oceânicas giram em torno delas mesmas, e ao fazerem isso, concentram plástico. São correntes naturais, que regulam o clima do nosso planeta. Como o plástico não se degrada tão rapidamente quanto outros materiais, como a madeira, ele se acumula há vários anos naquela região.

É possível saber há quanto tempo esse plástico está nos oceanos?
Nós não conseguimos fazer esse trabalho. Uma garrafa de plástico jogada em um rio em um continente pode viajar até o giro oceânico do norte do Atlântico, mas ele não vai chegar inteiro. O sol, o céu, as ondas fotodegradam o plástico, quebrando-o e reduzindo-o a pequenas partículas. Não sabemos, portanto, de quando eles datam, mas sabemos que a cada dia há mais plástico nos oceanos, devido ao consumo.

O que lhe marcou mais, durante a expedição?
É o fato de não conseguir ver todo o lixo que está submerso no mar. Ele passa despercebido. Mas basta mexer um pouquinho para visualizar todo o plástico acumulado, em uma região que não deveria ter nada disso. São quase 200 mil pedaços de plástico por quilômetro quadrado. Os estragos na fauna e na flora são grandes. É por isso que é fundamental mostrar essa situação para as pessoas, para fazê-las tomar consciência de que estamos plastificando os oceanos.

Foram quatro semanas de trabalho em alto mar. Qual é o próximo passo agora?
Nós trouxemos mais de 400 amostras. Ainda há poucos estudos sobre esse tipo de poluição – não conhecemos todo o impacto que há na fauna e na flora. Nosso objetivo é esclarecer os estragos que esse plástico pode gerar no meio oceânico. Agora, o trabalho é de laboratório, um trabalho bem mais longo do que a missão propriamente dita. Esperamos ter os primeiros resultados em setembro.

A fauna do local é vasta – os animais conseguem sobreviver, apesar de toda a poluição. Você pôde constatar a interação entre eles e o ambiente?
Os plásticos que não chegaram a se fotodegradar, ou seja, que não se tornaram micropartículas, servem de rocha artificial, se tornam abrigo para peixes e halobates, os insetos que vivem na água. Nós procuramos medusas, vírus e bactérias. Agora, todo esse material está sendo analisado: ainda não sabemos quais são todos os tipos de organismos que podem buscar abrigo no plástico.

O que você espera da Conferência do Clima de Paris, a COP 21, em relação à proteção dos oceanos?
Queremos que a poluição dos oceanos seja levada a sério, porque eles regulam o clima. Atualmente, quase não se fala disso nas reuniões de preparação para a COP, o que eu considero uma aberração. Queremos convidar os oceanos para a COP 21.
 


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