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Geral

"Guerra dos táxis" escancara contradições da economia digital

media Tropa de choque parisiense chega a local onde carro foi virado nas cercanias do aeroporto Roissy-Charles de Gaulle REUTERS/Charles Platiau

Nesta quinta-feira (25), taxistas pararam a França. Mais de 2.800 táxis aderiram ao dia nacional de protesto contra o UberPop, um serviço oferecido pela start-up californiana Uber, que coloca em contato direto passageiros e motoristas amadores. Essas manifestações, que terminaram com dez pessoas presas, sete policiais feridos e mais de 70 veículos depredados, estampam as capas dos principais jornais franceses de hoje. A imprensa faz um balanço dos protestos e chega à conclusão de que o problema vai muito além de uma disputa entre taxistas profissionais e amadores.

Do ponto de vista político, os jornais são unânimes em afirmar que o conflito deixa o governo e a justiça em uma situação delicada. O ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, já afirmou seguidas vezes que o UberPop age em situação de "ilegalidade absoluta". O problema é que ele é apenas um dos quatro serviços de transporte oferecidos pelo aplicativo Uber que, pela lei francesa, não é ilegal.

A desativação do serviço - que é o que exigem os motoristas de táxis regulares - é um procedimento judicial e, claro, toma tempo. E o tempo jurídico, como observa Le Figaro, é infinitamente mais lento do que o tempo da economia digital. E a cada dia que passa, cresce a cólera dos taxistas, que vêem a concorrência desleal dos amadores destruir o mercado. Como os chauffeurs do UberPop não têm a autorização para fazer o transporte, não pagam os impostos exigidos dos taxistas nem o custo da licença, eles conseguem oferecer um serviço muito mais barato do que a média.

Tsunami

Sob a manchete "Governo à margem da guerra dos táxis", o diário conservador traz uma foto de policiais de choque correndo em direção a um carro capotado pegando fogo. O editorial, intitulado Tsunami, comenta como a economia digital pratica uma revolução, conforme invade nosso universo cotidiano.

"Pode-se aumentar as proibições e sanções", observa o editorialista Yves Thréard, "mas nada disso será duradouro", já que "Os atores deste novo mundo nunca tardam em inovar para imaginar produtos inéditos ou manobras jurídicas que facilitem seus negócios". O lado bom é que "a concorrência estimula a iniciativa, favoriza a adaptação da oferta à demanda e a queda dos preços", mas, sem uma regulação eficiente, pode transformar o mundo em uma "selva".

Neoludismo

Se não propõe uma regulação propriamente dita, o Libération joga uma luz histórica interessante sobre o problema, ao lembrar do ludismo. No início do século XIX, o proletariado inglês sob comando do operário John Ludd começou a destruir as máquinas que acabavam com os empregos - o mesmo que fizeram ontem alguns dos manifestantes.

A raiva dos ludistas era válida, mas eles viram a tempo que enfrentavam o inexorável e passaram a questionar as relações sociais que se estabeleceram a partir da inovação tecnológica. Essa contestação estrutural levou ao nascimento do movimento operário de luta por direitos e ação política.

O Libération sugere que a "uberização" da sociedade siga este caminho, não de lutar contra a tecnologia, mas pelas garantias trabalhistas para esse novo setor, por medidas que humanizem a revolução tecnológica, por uma regulação que favoreça não a erradicação brutal de uma atividade econômica, mas uma adaptação que evite esta guerra "de pobres contra pobres".

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