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Regime sírio nunca esteve tão próximo de um colapso

Regime sírio nunca esteve tão próximo de um colapso
 
Combatentes do Estado Islâmico hasteiam bandeira nas ruas desertas de Ramadi, capital da província iraquiana de Al-Anbar, no dia 18 de maio de 2015. AFP PHOTO / HO / AAMAQ NEWS AGENCY

Em cerca de 10 meses e mais de 4 mil ataques contra o grupo Estado Islâmico, a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos não conseguiu barrar o avanço dos jihadistas na Síria e no Iraque. Muito pelo contrário, as perdas de Ramadi, no Iraque, e Palmira, na Síria, foram emblemáticas da impotência da coalizão em conter os extremistas. Bem ou mal, o Iraque segue com suas fraturas internas. A Síria já inspira uma preocupação imediata, já que o regime de Bashar al-Assad nunca esteve tão próximo de um colapso.

Tariq Saleh, correspondente da RFI em Beirute

Diante desse impasse, ministros de 24 países se reúnem nesta terça-feira (2) em Paris para discutir uma estratégia a ser adotada contra militantes do Estado Islâmico. Representantes de ONGs internacionais também estarão presentes. O encontro na França acontece em meio a fortes pressões internas contra os governos sírio e iraquiano pelas derrotas recentes frente aos jihadistas. Políticos e cidadãos árabes se mostram cautelosos e céticos em relação ao encontro. Há dúvidas se diferentes interesses poderão ser contemplados em uma estratégia única contra o Estado Islâmico.

Além da guerra contra o Estado Islâmico, outra preocupação é o aumento de milícias xiitas na luta contra o grupo terrorista em regiões de populações sunitas no Iraque. Alguns governos árabes e ocidentais temem que a presença de forças xiitas aumente a tensão sectária no país.

Interesses difíceis de conciliar

Os países europeus têm um plano próprio para conter o recrutamento de seus cidadãos por grupos islamitas. Já os Estados Unidos lideram uma coalizão com bombardeios aéreos que trouxeram poucos resultados concretos. Países como Árabia Saudita e Turquia vêm financiando grupos rebeldes que lutam contra o governo na Síria, ao mesmo tempo em que apoiam a luta contra o Estado Islâmico. O Iraque usa milícias treinadas e apoiadas pelo Irã em sua própria guerra territorial contra os militantes islamitas, uma estratégia que desagrada aos países ocidentais e aos governos saudita e turco.

Pela primeira vez, esses diferentes atores podem chegar a um consenso e a uma estratégia mais unificada e consistente para enfraquecer o Estado Islâmico.

A perda de Ramadi, no Iraque, foi um duro golpe para o primeiro-ministro iraquiano, Hader al-Abadi. O governo e as Forças Armadas iraquianas enfrentam muitas críticas pela falta de uma estratégia clara de combate, incluindo a falta de motivação e treinamento adequado do exército. O governo iraquiano também enfrenta suspeita de corrupção nos recursos destinados ao treinamento das tropas e compra de equipamentos militares, que teriam sido desviados.

A população sunita, por sua vez, acusa o governo, amplamente dominado por xiitas, de marginalizar a comunidade sunita no país, levando parte dessas populações a simpatizarem com o Estado Islâmico. O uso de milícias xiitas em várias regiões sunitas para combater o grupo islamita desagrada essas comunidades. As milícias são acusadas de cometer crimes de vingança contra populações sunitas.

Regime de Assad perto de um colapso

Na Síria, destruída por quatro anos de guerra civil, o contexto é ainda mais caótico. Palmira representava não apenas uma posição estratégica, mas também de interesse econômico, já que há grandes reservas de gás natural na região, vitais para a economia de cidades sob controle do governo. A perda de Palmira coloca o regime sírio na obrigação de comprar gás natural do Estado Islâmico.

A queda de Palmira é mais um capítulo na série de derrotas militares que o governo sírio sofreu nos últimos dois meses, com perdas territoriais também para grupos rebeldes - no norte, em Idlib e Jisr al-Shogour.

As recentes derrotas do regime sírio eram impensáveis até um ano atrás. O governo de Bashar al-Assad estava até ganhando a guerra, beneficiado pela divisão entre os vários grupos rebeldes. Mas o aumento do poder do Estado Islâmico, a unificação de outros grupos rebeldes, e o apoio financeiro e de armas ao Exército Livre da Síria revertou a situação.

Hoje, o presidente Assad está mais acuado do que nunca. Analistas da região acreditam que falta pouco para o regime sírio entrar em colapso, o que poderia acontecer a qualquer momento, devido a dissidências internas provocadas pelas derrotas militares.


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