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Peça teatral que gerou polêmica por usar blackface é cancelada em SP

Peça teatral que gerou polêmica por usar blackface é cancelada em SP
 
Cena da peça A Mulher do Trem, do grupo Os Fofos Encenam. Reprodução facebook.com/osfofosencenam

A peça de teatro A Mulher do Trem, da companhia Os Fofos Encenam, gerou uma intensa onda de protestos nas redes sociais. O espetáculo, que é realizado desde 2003, fazia parte da programação deste mês de maio do Itaú Cultural de São Paulo, mas foi cancelado depois que militantes e simpatizantes do Movimento Negro se revoltaram com dois personagens da peça que fazem uso do "blackface".

Figura disseminada no teatro norte-americano a partir do século 19, quando negros eram proibidos atuar e eram representados no teatro por atores brancos, o blackface é uma espécie de maquiagem preta feita no rosto do ator que interpreta o papel de negro. Na maioria das vezes, o personagem que usa esse artifício têm suas características afro ressaltadas de forma pejorativa, e aliadas a uma personalidade cômica, o que é considerado racista na sociedade moderna.

Para uma das idealizadoras do protesto contra a exibição de A Mulher do Trem, a estudante de arquitetura Stephanie Ribeiro, é inconcebível que o blackface continue sendo utilizado, seja no teatro ou na televisão. No Brasil, especialmente em programas humorísticos de TV, muitos personagens negros ainda continuam sendo representados dessa forma.

"As pessoas ainda não conseguiram entender a gravidade deste personagem para os negros. Não estamos protestando contra ele simplesmente porque não gostamos disso. O blackface tem um histórico opressor e essa questão não é nova. Ao contrário, ela vem sendo debatida há anos", declara.

Circo teatro

A atriz Katia Daher, que atua na Mulher do Trem, explicou à RFI que a máscara usada na peça não é um blackface, mas uma manifestação tradicional do circo teatro brasileiro, que data do início do século 20, dentro da qual Os Fofos Encenam trabalham. "Os atores Carlos Ataíde e do Marcelo Andrade, que são negros, representam personagens com os rostos pintados de preto na peça porque essa é uma linguagem teatral operada pelas máscaras", diz.

Katia defende que Os Fofos Encenam não sabiam o que era blackface até a polêmica estourar, mas que o grupo ouviu e compreendeu o protesto dos militantes e simpatizantes. "Os negros sofrem essa opressão há séculos. Se essa máscara os ofendeu tanto, estamos dispostos a deixar de usá-la", pondera.

Debate é positivo

O diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron, reconhece que o blackface é uma tradição preconceituosa, mas que a discussão sobre a questão é positiva. "A peça não é racista, mas a figura do blackface é. A polêmica serviu para abrirmos um espaço para discussão do racismo no Brasil e a posição dos negros sobre essa e outras questões", ressalta.

Para Saron, a decisão de cancelar a exibição da peça é uma solução em favor do aprendizado mútuo. "Os Fofos Encenam estão refletindo sobre o uso dessas tradições em seus trabalhos. Nós, do Itaú Cultural, estamos discutindo sobre as ações e os projetos que desenvolvemos. E certamente os ativistas também têm a oportunidade de refletir o quanto é importante o papel deles nessas mobilizações", finaliza.

No lugar da encenação da peça, o Itaú Cultural vai promover um debate sobre a polêmica com a participação dos Fofos Encenam e de ativistas do movimento negro. O evento será realizado no dia 12 de maio, às 20h, na avenida Paulista, n°149, em São Paulo.


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