Ouvir Baixar Podcast
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 24/06 15h27 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 24/06 15h06 GMT
  • 15h00 - 15h06 GMT
    Jornal 24/06 15h00 GMT
  • 09h57 - 10h00 GMT
    Flash de notícias 24/06 09h57 GMT
  • 09h36 - 09h57 GMT
    Programa 24/06 09h36 GMT
  • 09h30 - 09h36 GMT
    Jornal 24/06 09h30 GMT
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 23/06 15h27 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 23/06 15h06 GMT
Para poder acessar todos os conteúdos multimídia, você deve instalar o plugin Flash no seu navegador. Para se conectar, você deve ativar os cookies nas configurações do navegador. O site da RFI é compatível com os seguintes navegadores: Internet Explorer 8 e +, Firefox 10 e +, Safari 3 e +, Chrome 17 e +.

Tabu da depressão no trabalho precisa cair, alertam especialistas

Tabu da depressão no trabalho precisa cair, alertam especialistas
 
Para não prejudicar a carreira, funcionários tendem a esconder o problema. pixabay

A tragédia com o voo da Germanwings coloca a companhia Lufthansa face à responsabilidade de não ter levado a sério a fragilidade psicológica do copiloto Andreas Lubitz, suspeito de ter derrubado propositalmente o Airbus A320. Pouco a pouco, os investigadores do acidente revelam os detalhes de um passado sombrio do alemão, marcado por crises de depressão, que o jovem de 28 anos tentava esconder para não prejudicar a carreira. Neste contexto, especialistas alertam para os perigos por trás do tabu das doenças psiquiátricas no ambiente profissional.

Enquanto os males físicos contam com a compreensão dos chefes e colegas, aqueles ligados ao estado psicológico são, com frequência, estigmatizados. Muitos funcionários preferem esconder os problemas a se expor ao julgamento alheio. O psiquiatra Marc Willard, especializado em depressão no trabalho, afirma que cerca de 10% das licenças médicas na Europa ocorrem por essa razão – e os pacientes chegam a pedir que, nos documentos, o médico não especifique o motivo do afastamento.

“É uma doença tabu. Muitas vezes, os pacientes se recusam a ficar em licença médica e a falar com os outros a respeito. Mas ao tentar escondê-la, as falhas no trabalho não são atribuídas à doença, e sim a uma certa displicência, às vezes de uma suposta preguiça”, observa. “É preciso que a atitude em relação a essa doença mude, que ela seja compreendida, afinal ela pode ser tratada.”

Foco no estresse, e não na depressão

Willard ressalta que a depressão ainda é uma doença pouco conhecida pelas pessoas, que tendem a tratar a tristeza e o desinteresse pelas atividades cotidianas como uma situação passageira. A depressão logo afeta o desempenho dos profissionais no trabalho, ao provocar disfunções cognitivas, como lentidão, dificuldade de concentração e de memória.

“No ambiente do trabalho, infelizmente fala-se muito de estresse, de burn out, mas nenhum dos dois é reconhecido como doença pela medicina. Ninguém nunca fala de depressão”, ressalta. “A primeira coisa a fazer é informar. Há formações específicas para que médicos do trabalho, chefes e pessoal dos recursos humanos aprendam a reconhecer a depressão.”

Ritmo acelerado

O especialista ressalta que todas as categorias profissionais são atingidas pela doença, que pode passar despercebida pelos colegas de trabalho. O ambiente profissional, em um ritmo cada vez mais acelerado, exigente e dependente das tecnologias digitais, contribui para que os depressivos optem por esconder o sofrimento.

“As pessoas hoje crescem com aquilo que os psicólogos chamam de ego fraco. Elas não têm um ego para resistir a toda a movimentação em volta. E o ego é a estrutura que gerencia a personalidade”, explica Sigmar Malvezzi, doutor em psicologia do trabalho e organizacional. “Algumas pessoas acabam sucumbindo, por não terem força interior para enfrentar e resistir às dificuldades. As pessoas também não têm paciência para suportar as frustrações – elas mudam de ambiente, achando que terão menos frustrações, mas acabam encontrando outras.”

Isolamento dos pilotos

Malvezzi foi um dos especialistas que participaram da investigação das causas do acidente com um voo da Vasp em 1982, que pode ter sido provocado pelo suicídio do piloto. Depois de sete anos de estudos sobre as características dessa categoria profissional, o professor da USP diz que não se surpreende com a atitude do copiloto alemão.

“Os pilotos aprendem a desenvolver uma tremenda capacidade de viverem sozinhos e serem autosuficientes nos sentimentos. Eles também se sentem onipotentes: tudo que está atrás deles é carga”, constata.

Para o psiquiatra francês, a recente tragédia deveria levar as empresas a adotar modificações no acompanhamento da saúde dos funcionários. “Quando você passa por um exame de rotina da medicina do trabalho, tiram a sua pressão arterial, o seu peso, e isso é bom. Mas por que não fazem sistematicamente uma avaliação das doenças depressivas”, sublinha. “Ela pode ser feita em alguns minutos e pode ser um sinal para um futuro diagnóstico. Mas, por enquanto, isso é feito em pouquíssimas empresas.”

 


Sobre o mesmo assunto

  • Acidente/Germanwings

    Copiloto da Germanwings fez tratamento contra tendências suicidas

    Saiba mais

  • Alemanha/ acidente

    Copiloto deveria estar em licença médica no dia do acidente da Germanwings

    Saiba mais

  • Fato em Foco

    Acompanhamento da saúde mental da tripulação é “suficiente”, dizem pilotos

    Saiba mais

  • Alemanha/ acidente

    Imprensa: copiloto da Germanwings tinha depressão e fazia tratamento

    Saiba mais

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. ...
  5. seguinte >
  6. último >
Programas
 
O tempo de conexão expirou.