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Geral

Le Figaro repercute decisão do governo brasileiro de combater "epidemia de cesarianas"

media Parto normal oferece menos riscos de infecção, hemorragia e prematuridade do bebê. Portal Brasil/Brenda Cacciator

A decisão do Ministério da Saúde do Brasil de combater o número abusivo de cesarianas praticadas no país tem repercussão na edição desta quinta-feira (19) do jornal Le Figaro. A França enfrentou um fenômeno semelhante na década de 90, em proporções bastante inferiores ao Brasil, e conseguiu reverter o quadro com uma campanha de sensibilização conduzida pelas autoridades da área da saúde.

O Brasil quer acabar com a "epidemia" de cesarianas que tomou conta do país, diz a correspondente do Le Figaro no Rio de Janeiro, Lamia Oualalou. O diário relata que os médicos e as mulheres brasileiras optam pela cesariana, em vez do parto normal, por puro conforto. Essa distorção transformou o país no campeão mundial de cesarianas, com uma incidência de 56% nos nascimentos contra a média internacional de 18%.

Le Figaro nota que os obstetras brasileiros não encontram dificuldades para convencer suas clientes explorando fatores culturais. "No país da cirurgia plástica, eles alegam que a cicatriz da cesariana é imperceptível", escreve o jornal. Também afirmam que o parto normal pode prejudicar a vida sexual das mulheres depois da passagem do bebê pelo canal vaginal. Segundo o Le Figaro, os obstetras brasileiros "amedrontam as mulheres evocando as dores do parto e as supostas consequências desagradáveis para a sexualidade" com o objetivo de defender interesses pessoais.

O jornal revela que as maternidades particulares praticamente não contam com equipes médicas de plantão durante a noite para receber mulheres em trabalho de parto. "Em compensação, elas usam a imaginação para oferecer serviços anexos à cesariana, como consultas com astrolólogos e numerológos para ajudar as mães a escolher a melhor data para o nascimento dos filhos." Outro aspecto tratado pelo diário francês é que mulheres aproveitam as cesarianas para fazer o ligamento das trompas, "um método anticoncepcional utilizado por um terço das brasileiras".

França reduziu "cesarianas inúteis"

Le Figaro vê como positiva a decisão do ministro da Saúde, Arthur Chioro, de combater essa prática e relata que a França conseguiu estabilizar o número de "cesarianas inúteis".

Durante um período, entre 1994 e 2004, os partos cirúrgicos aumentaram na França, mas depois recuaram para uma média de 19% após um trabalho coletivo de sensibilização dos profissionais, das mulheres e das autoridades da saúde. A campanha francesa procurou mostrar que a cesariana não era, de forma alguma, mais segura do que o parto normal.

Segundo Le Figaro, a metade das cesarianas praticadas atualmente na França são agendadas com antecedência, mas a outra metade acontece em caráter excepcional, quando a vida da mãe ou da criança estão em situação de risco.

O governo francês estima que 25 mil cesarianas ainda poderiam ser evitadas todo ano no país. A maioria dos partos cirúrgicos acontece nas maternidades privadas.
 

 
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