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Investidores estrangeiros ainda não temem crise hídrica em São Paulo

Investidores estrangeiros ainda não temem crise hídrica em São Paulo
 
O sistema do Rio Paraíba do Sul que abastece três estados: Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais está secando. Antonio Leudo/ Prefeitura de Campos

A crise hídrica em São Paulo, o Estado mais rico do Brasil, já é uma realidade no cotidiano dos moradores e das indústrias, mas ainda é algo bastante abstrato para os investidores estrangeiros em potencial que acompanham as notícias do país à distância. Esse quadro, porém, deve mudar à medida que os cortes do abastecimento de água se tornarem mais constantes.

Se os moradores da maior metrópole brasileira vivem com o fantasma de um racionamento drástico de água, os investidores estrangeiros ainda acham esse cenário inimaginável em uma cidade do porte de São Paulo. “[A crise de energia e a crise hídrica] são dois assuntos que ocupa, quase que diariamente, as manchetes dos jornais brasileiros. Esse é um problema nacional que teve pouca repercussão fora das fronteiras brasileiras. No meio empresarial na França e na Europa, essa não é ainda uma grande preocupação na hora de projetar investimentos nos próximos meses no Brasil”, disse Charles-Henry Chenut, advogado francês de um escritório especializado em acompanhar investimentos estrangeiros no Brasil.

Esse baixo nível de preocupação, porém, pode mudar em pouco tempo. “Assim que eles sentirem esse corte de água e de eletricidade no seu cotidiano, pode ter um impacto. De fato, é muito surpreendente que um país que tem a pretensão de atingir altos níveis de desenvolvimento, no âmbito econômico e internacional, especialmente um Estado como São Paulo, não tenha tido a capacidade de preparar para garantir o abastecimento de eletricidade e de água”, argumenta Chenut.

Falta dágua afeta o PIB do Brasil em 2015

Para as empresas brasileiras, o problema de abastecimento de água é um drama bem concreto. Segundo levantamento recente da Fiesp  (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), a possibilidade de falta de água preocupa 67% das empresas. Metade das companhias teria, inclusive, que diminuir significativamente a produção diante de um corte no fornecimento.

Esse panorama sombrio adiciona mais um elemento de incerteza em um momento em que o Brasil deixou de ser o "queridinho" do mercado internacional. “Hoje há menos entusiasmo pelo Brasil que há 4 ou 5 anos. Outros países da América Latina têm atraído mais atenção. Mas, como Brasil, em relação a outros países dos Brics, oferece mais garantias aos investidores, o Brasil ainda é uma terra de investimentos, sobretudo franceses. Esses investidores são, na maioria grandes empresas que já investem no Brasil ou empresas não conhecem ainda o país e buscam crescimento fora da Europa e tentam essa aventura mesmo se o Brasil é menos atraente que há 2 ou 3 anos”, diz Chenut.

Os economistas também revelam essa desilusão coma economia brasileira. O mais recente relatório Focus do Banco Central, que leva em conta análises de economistas, revela que o crescimento do PIB esperado para esse ano é de apenas 0,03%. Ou seja, bem próximo de zero. SE a crise hídrica de agravar, o crecimento pode até mesmo ser negativo.

 

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