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Presos exibem dinheiro e drogas em fotos no Facebook e criam polêmica na França

Presos exibem dinheiro e drogas em fotos no Facebook e criam polêmica na França
 
Fotos de detentos exibindo dinheiro e drogas na prisão de Marselha foram consideradas uma provocação. Reprodução Facebook

Os detentos da prisão de Baumettes, na cidade de Marselha, no sul da França, ficaram famosos esta semana. Os presos criaram uma página no Facebook na qual mostram o dia a dia na prisão, em fotos e vídeos que mais parecem tirados de um álbum de férias. Algumas imagens, que provocaram revolta, mostram os detentos fumando narguilé enquanto assistem televisão, exibindo pacotes de dinheiro e até entorpecentes dentro das celas.

A página Facebook provocou polêmica, afinal, o consumo de drogas é proibido dentro das penitenciárias, assim como a entrada de computadores e conexão internet. As imagens foram realizadas com telefones celulares, aparelhos aos quais, teoricamente, os detentos também não tem acesso. Nesta terça-feira (6) foi a vez da prisão de Nice, também no sul da França, ter fotos semelhantes divulgadas nas redes sociais.

Os sindicatos de carcereiros vêem a publicação como uma provocação e tentam se defender. Eles explicam que não conseguem controlar a entrada de objetos ilegais nas prisões, apesar das revistas feitas durante as visitas, e reclamam da falta de pessoal. Mesmo assim, Philippe Perron, diretor inter-regional da Administração penitenciária de Marselha, garante que mais de 700 telefones celulares foram apreendidos em Baumettes no ano passado.

Apesar de acolher 1.813 detentos para 1.254 lugares disponíveis, a prisão de Marselha está abaixo dos índices de superlotação carcerária vistos em alguns países, como o Brasil, que possui, segundo o DEPEN (Departamento Penitenciário Nacional), 574.027 presos para 317.733 vagas. Mas o problema do controle da entrada de objetos ilegais dentro dos estabelecimentos é o mesmo. De acordo com o padre Valdir João Silveira, coordenador nacional da Pastoral Carcerária, “droga e celular é algo comum nos presídios brasileiros, embora sejam proibidos”.

Advogados e funcionários podem participar do esquema

Durante muito tempo criou-se o mito de que os objetos ilegais entravam nas prisões por meio das famílias, durante as visitas. Porém, como explica o padre Silveira, “na prática, análises feitas por institutos no Brasil comprovaram que os familiares são responsáveis por apenas 0,3% do que é encontrado nas blitz do sistema prisional, quando as celas são revistadas”. Ele ressalta que advogados e funcionários também “entram no esquema”.

No caso francês, o governo abriu uma investigação para punir os responsáveis, inclusive os funcionários do presídio de Baumettes que possam estar envolvidos na publicação da página Facebook. “Os presos identificados vão passar por uma comissão de disciplina e para os que beneficiam de um emprego, o trabalho será suprimido”, indicou Pierre Rance, porta-voz do ministério da Justiça da França. A página que provocou polêmica também foi tirada do ar e um esquema reforçado de revista das celas foi implementado.


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