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Economia japonesa precisa de mão de obra, mas país resiste à imigração

Economia japonesa precisa de mão de obra, mas país resiste à imigração
 
O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, renovou seu mandato após vitória eleitoral. REUTERS/Toru Hanai

A manobra do primeiro ministro japonês deu certo. Convocando eleições legislativas antecipadas, Shinzo Abe conseguiu uma vitória eleitoral estrondosa. Ele agora ganhou mais quatro anos de poder para pôr o pé na tábua de seu programa de grandes reformas para tirar o Japão do buraco negro de mais de vinte anos de depressão.

Quando assumiu o governo, há dois anos, Shinzo Abe não prometeu nenhuma bala de prata, mas três “flechas”. Encher a economia de dinheiro graças à compra massiva de bônus pelo Banco Central, lançar um pacote de estímulos fiscais adoidados e começar as reformas estruturais que Tóquio sempre protelou. No primeiro ano parecia dar certo: a economia japonesa acordou. Mas, no segundo, parou tudo de novo, culpa do próprio Abe.

Com medo do endividamento de 240% do PIB, o maior do mundo junto com o Zimbábue, o primeiro-ministro aumentou o imposto sobre o valor agregado para cobrir os gastos. Resultado: os consumidores pararam de comprar e a economia voltou à estaca zero. Pior ainda: Abe não conseguiu nem começar as reformas estruturais prometidas e que mexem tanto no bolso de muita gente e nas tradições culturais do país. Shinzo Abe agora tem mais tempo para trabalhar e mais força para impor a sua vontade. Mas, no Japão, política não é nada fácil.

Crescimento econômico não tem mistério. É preciso empregar mais gente e aumentar muito a produtividade. Mas o Japão está encolhendo: perdeu 10 milhões de habitantes nos últimos vinte anos e é o mais velho do mundo. A solução seria aceitar mais imigrantes, mas a xenofobia dos japoneses não deixa. Abe tenta contornar o problema propondo uma maior participação das mulheres no mercado de trabalho. Mas aí também o machismo da sociedade local é uma baita barreira.

Sobra os incentivos à produtividade: acabar com os gargalos rentistas e promover a inovação e a tecnologia de ponta. Mas aí as melhores intenções esbarram no arcaísmo da vida política japonesa. Todos os dirigentes sérios do país sabem perfeitamente que têm de acabar com as imensas vantagens e proteções dos setores mais atrasados e menos produtivos. Só que estes são extremamente poderosos politicamente e constituem boa parte da base eleitoral do PLD no poder: os pequenos agricultores residuais, os pequenos comerciantes que impedem a presença dos grandes grupos de distribuição ou boa parte das construtoras que alimentam o caixa dos partidos. E todos gritam por subsídios e proteção e não querem saber de reformas.

Primeiro-ministro longevo e poderoso

Shinzo Abe sabe que o Japão não tem muito tempo para endireitar tudo isso. E que, se não for agora, o país arrisca voltar a ser um protagonista de segunda ou até terceira classe. Sobretudo frente à potencia emergente do velho inimigo chinês. O primeiro-ministro vai provavelmente jogar uma cartada nacionalista, para criar um clima de unidade que permita enfiar as reformas goela abaixo dos inúmeros oponentes. Aproveitando as tensões com a China, Abe quer reabrir as centrais nucleares, fechadas depois do drama de Fukushima, a fim de garantir maior autonomia energética no país. E já mostrou que quer reformar a constituição pacifista japonesa para permitir intervenções militares no exterior.

É claro que Pequim não vai gostar e que as tensões na região vão aumentar. Portanto Tóquio vai sem dúvida reforçar ainda mais a aliança com os Estados Unidos como seguro de vida frente aos chineses. E, para isto, Shinzo Abe já declarou que quer acelerar a conclusão do acordo comercial da Parceria Trans-Pacífico – o TPP, que reúne todas as grandes economias do Pacífico, incluindo vários latino-americanos, mas que deixa a China de fora.

Mas isto só será possível se o Japão abrir muito mais a sua economia, sacrificando parte dos interesses dos agricultores e dos outros setores mais arcaicos em favor dos mais modernos e avançados. Vai ser barra pesada para Abe, mas ele agora tem condições de ser o primeiro-ministro mais longevo e mais poderoso das últimas décadas. Só resta torcer para que o Japão saia do buraco sem que essa nova onda nacionalista provoque um confronto geral na Ásia-Pacífico.
 


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