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"A realidade ultrapassa o mito", diz jornalista que seguiu Mandela por 14 anos

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Nelson Mandela em 25 de fevereiro, 1990, alguns dias depois de ser solto após 27 anos de prisão. Trevor Samson/AFP

Um ano depois da morte de Nelson Mandela, nesta sexta-feira (5), o mito permanece vivo. O líder da luta antiapartheid continua sendo cultuado na África do Sul. Símbolo mundial da paz, ele chegou à presidência em 1994, se tornando o primeiro chefe de estado negro do país.

Arquiteto da reconciliação interna e externa de um país dividido pelas questões raciais, Nelson Mandela ficou 27 anos preso e chegou ao poder pouco tempo depois de deixar o cárcere. Algumas pessoas tiveram o privilégio de estar a seu lado neste período. Uma delas é o jornalista português do canal RTP Antonio Mateus, que acompanhou Nelson Mandela durante 14 anos. Ele se tornou correspondente em Johasnneburgo, na África do Sul, quando o líder sul-africano deixou a cadeia, em 1990.

Da sua experiência nasceram dois livros: a biografia “Mandela: a construção de um homem” e “Mandela, o rebelde exemplar”. As obras, dedicadas ao público jovem, são duas homenagens ao Nobel da Paz, que, segundo ele, mudou sua própria existência. “Ele é uma das raras figuras públicas que conheci ao longo da minha carreira de jornalista e nunca conheci um líder político tão consistente e tão sólida. A realidade ultrapassa o mito. Era nos pormenores, na maneira que tocava as pessoas, mesmo com opiniões diferentes da dele. Todos nós, jornalistas que vivemos com ele, fomos transformados por ele.”

De todos esses anos de cobertura, Antonio guarda na memória um momento especialmente emocionante ao lado de Madiba. “O que me tocou mais como ser humano foi uma das primeiras entrevistas que fiz com ele. Falávamos sobre a mãe dele, que morreu quando ele ainda estava na prisão. Ele era o filho mais velho dela. Nelson Mandela queria se despedir dela, mas não obteve autorização. Passado alguns meses, morreu também seu filho mais velho, Thembekile, de quem ele era muito próximo. Foi a primeira vez que vi o lado mais pessoal do Mandela, que quase chorou. Era o aniversário da morte do filho. Foi a primeira vez que vi o ser humano, não o mito, algo que todos nós, jornalistas, queríamos alcançar.”

Enviado para cobrir o funeral de Mandela, Antonio Mateus conseguiu conter a emoção até o momento em que o caixão do líder antiapartheid foi colocado embaixo da terra em Qunu, a aldeia de seus ancestrais. “Não tenho pudores em assumir, eu comecei a chorar. Fiquei sem voz. Eu me senti subtraído.”

Como nasceu o mito Mandela?

O professor de História da Universidade de Brasília, Estevão Martins, explica como Nelson Mandela se tornou um símbolo. "Há pensadores europeus muito importantes que ajudam a entender esse fenômeno, um deles é o francês Paul Ricœur. As pessoas são idealizadas, buscadas como um horizonte de referência. Então eles são o horizonte de expectativa ideal de aceitação, tolerância, abnegação, renúncia a si próprio em benefício do todo, do interesse coletivo e da vocação comunitária”, diz. “Foi um indíviduo de uma generosidade ímpar nesse mundo.”

Homenagens

Para lembrar a data, o Centro de Memória da Fundação Nelson Mandela, em Johannesburgo, exibirá as mais de cinco mil mensagens recebidas do mundo todo depois de sua morte. O Centro também recebeu mais de 11 mil mensagens pelo telefone e 60 mil e-mails, segundo Razia Saleh, a arquivista da Fundação. O muro em frente ao Parlamento na Cidade do Cabo, também está coberto de palavras de adeus ao líder antiapartheid. Sem contar a moda das tatuagens com o rosto de Mandela, que se tornaram uma verdadeira febre no país.
 


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