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Autor de best-seller sobre economia, Thomas Piketty não entusiasma nem Hollande nem Sarkozy

Autor de best-seller sobre economia, Thomas Piketty não entusiasma nem Hollande nem Sarkozy
 
Thomas Piketty faz palestra em Barcelona, no último mês de outubro. Universitat Pompeu Fabra/Creative Commons

Antes de ser eleito, François Hollande apontava a obra do economista Thomas Piketty como uma inspiração. Piketty diz que Hollande leu, mas não entendeu. Derrotado nas urnas, o ex-presidente Nicolas Sarkozy vaticina: Piketty está “exportando o que não deu certo na própria França”. O debate está armado na terra do best-seller "O Capital no Século XXI", que está prestes a atingir 1 milhão de exemplares vendidos. Nesta semana, o economista está no Brasil para uma série de palestras.

Lançado sem maior repercussão na França em 2013, o calhamaço de 900 páginas de Thomas Piketty ganhou o estrelato ao ser traduzido para o inglês e se tornar um dos mais vendidos na Inglaterra e nos Estados Unidos, em 2014. Algumas teses do livro foram questionadas por veículos como o Financial Times, mas, no balanço geral, O Capital logrou a façanha de trazer o tema da desigualdade – uma obsessão historicamente francesa – para o centro do debate anglo-saxão.

Na França, Thomas Piketty já era conhecido nos círculos de esquerda: mantém uma coluna no jornal Libération e foi conselheiro da socialista Ségolène Royal em sua candidatura derrotada à presidência, em 2007. O romance com o Partido Socialista continuou, em 2011, com François Hollande elogiando o livro Por Uma Revolução Fiscal – “uma constatação implacável”, segundo o presidente.

Mas a lua-de-mel acabou logo no primeiro ano do mandato de Hollande, quando o governo tentou emplacar o imposto de 75% sobre rendas superiores a € 1 milhão – a querela que faria o ator Gérard Depardieu ameaçar deixar o país. A taxação da renda e do capital é uma das principais propostas de Piketty no quarto e mais polêmico capítulo de O Capital, em que ele pretende oferecer soluções para o diagnóstico inicial: a desigualdade é consequência inevitável do atual modelo econômico mundial, em que a renda do capital é maior que o crescimento.

Para a surpresa de muitos, Piketty criticou publicamente a proposta dos 75%. “Eles entenderam tudo errado”, disse o economista em uma entrevista ao site Rue89. “Não é inteligente impor uma taxa tão alta sobre uma parcela tão pequena da população”, afirmou Piketty, antes de explicar que o ideal mesmo seria “uma taxa menos elevada, 60% por exemplo, sobre uma parcela maior, incluindo a renda da poupança”.

A discordância, neste caso, seria mais sobre a dose do que o tipo de remédio. Daí, possivelmente, a crítica do ex-presidente e agora líder oposicionista Nicolas Sarkozy à obra de Piketty feita no mês passado, em uma palestra em Seul. “É uma doença francesa querer exportar para os outros aquilo que não funciona no nosso próprio país”, disparou Sarko, se referindo à alta carga tributária francesa.

Repercussão no meio acadêmico

No meio acadêmico francês, Piketty é celebrado como uma espécie de resumo do pensamento do país e, mesmo quem o critica, o faz dentro de um certo consenso: o de que a carga tributária seguirá sendo um caminho inevitável para reduzir desigualdades. Guillaume Allègre, economista do Observatório Francês de Conjunturas Econômicas (ligado à faculdade Science Po) é o autor de um estudos mais críticos ao livro O Capital no Século XXI. Em linhas gerais, ele discorda da relação de causa e efeito que surge da tese de Piketty (de por que o empreendedor acaba se tornando um rentista) e também acredita que a taxação do capital não é a principal medida para combater a desigualdade – embora seja uma delas.

Allègre discorda que Hollande esteja colocando em prática qualquer ideia inspirada por Piketty. E, mesmo que estivesse, afirma que a crítica de Sarkozy não faria sentido: “Você não poderia taxar o capital só na França em um mundo onde o capital é móvel e aberto. Se você taxar o capital apenas na França, ele vai à Alemanha, Bélgica ou Suíça. A crítica de Sarkozy não tem cabimento porque o que preconiza Piketty só tem pertinência se aplicado em uma economia integrada. No mínimo, toda a Europa.” Allègre diz que Piketty é um crítico de toda a política fiscal de Hollande e que o presidente hoje é muito mais influenciado por nomes como Philippe Mario Aghion. “Piketty propõe é uma taxação elevada sobre todos os tipos de renda. Não se parece com nada com o que se fez na França”, afirma o economista.

Diretor do Laboratório de Economia e Gestão da Université Paris Sud, o professor José de Sousa acredita que Hollande foi influenciado pela obra de Piketty – mas também não identifica reflexo de suas teorias nas políticas públicas francesas atuais. “Os políticos pedem opiniões e estudos dos economistas, mas, depois, há sempre um poder de loby bastante forte que faz com que estes estudos não sejam aplicados”, diz Sousa. “Ele influenciou o pensamento de Hollande, mas não houve coragem para se colocar em prática as recomendações, como a revolução a fiscal, que incluía a simplificação dos impostos, por exemplo”.

Traduzido em 32 línguas, O Capital no Século XXI se aproxima de 1 milhão de cópias vendidas – 500 mil apenas na versão em inglês. Os números devem explodir com a chegada ao mercado chinês. O sucesso do livro pode se dever a uma sensação a qual os europeus estão cada mais acostumados e que José de Sousa descreve assim: “Durante os 30 Anos Gloriosos (1945 - 1975), a pessoa que nascia pobre podia se educar, ter sucesso e se tornar empreendedora. Hoje, a renda do capital é bastante elevada e aqueles que empreendem o fazem graças ao dinheiro herdado. Não há o sucesso pelo mérito”.


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