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Roda de capoeira deve se tornar Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO

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Roda de capoeira deve se tornar Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO
 
Apresentação dos mestres de capoeira brasileiros na UNESCO (Foto: RFI Brasil)

A roda de capoeira deve se tornar Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco. O título deve ser entregue nesta quarta-feira (26), depois de ser anunciada a decisão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda, reunido desde o início da semana. A luta afro-brasileira, praticada em mais de 160 países, se unirá ao Samba de Roda do Recôncavo Baiano (BA), à Arte Kusiwa-Pintura Corporal (AP), ao Círio de Nazaré (PA) e ao frevo.

Para comemorar o evento por antecipação, a missão brasileira permanente na Unesco promoveu um coquetel regado a música e comidas típicas, além de trazer um grupo de seis grandes mestres da capoeira para uma apresentação na sede da organização, em Paris.

“A inscrição da roda da capoeira, que se dará, esperamos, nesta quarta, traz muita visibilidade e reconhecimento da Unesco e da comunidade internacional. A capoeira já é reconhecida universalmente. E nos quatro cantos do mundo, onde quer que você vá, sempre existe uma referência pelo menos à capoeira, uma escola de capoeira, uma demanda pela capoeira”, disse a embaixadora Eliana Zugaib, representante permanente do Brasil junto à Unesco.

“Eu acho que o fato desse elemento estar sendo inscrito na lista do Patrimônio Imaterial tem um significado importante, porque é algo que está muito ligado à identidade cultural do Brasil. É uma prática que no passado foi proibida e que hoje se dissemina com o apoio do governo brasileiro como parte integrante da identidade cultural do Brasil e do brasileiro”, declarou.

Atraso na liberação dos instrumentos atrasa capoeiristas

O coquetel quase foi marcado pela ausência dos capoeiristas. Aguardando a liberação dos seus instrumentos no aeroporto Roissy-Charles de Gaulle, eles chegaram ao evento com duas horas de atraso. Mas apesar do cansaço e das 12 horas de avião, eles garantiram uma bela apresentação da luta às centenas de estrangeiros presentes. Um alívio para a presidenta do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Jurema Machado, e para todos os diplomatas que representam o Brasil na Unesco.

“O Iphan está muito seguro desse resultado porque a capoeira já é reconhecida como patrimônio nacional desde 2008. Esse é um bem cultural que não precisa de salvaguarda. Por si só, ele tem muita vitalidade, muita força, muita presença, em muitos países. Mas que o que nós temos que nos assegurar é da forma de transmissão tradicional, da arte e da fidelidade, que são os princípios e  as variações”, explicou. “A capoeira tem nuances, tem pessoas que interpretam como um esporte, com valor esportivo, físico, de preparação. Mas ela é, principalmente, uma forma de resistência à escravidão e uma luta vitoriosa.”

Até 1930, a capoeira foi proibida no Brasil, porque era considerada uma prática subversiva. Sua origem nunca foi comprovada cientificamente. Ela teria sido trazida pelos africano que habitavam a África Austral, onde fica a Angola. Aperfeiçoada nos quilombos, ela foi transmitida aos escravos fugitivos, que capturados pelos senhores de engenho, a ensinavam aos outros membros da senzala.

O mestre de capoeira Cinézio Feliciano Peçanha, conhecido como “Cobra Mansa”, e um dos fundadores da Fundação Internacional de Capoeira de Angola, foi um dos capoeiristas que fez uma demonstração na sede da Unesco em Paris. Ainda cansado, já que tinha chegado direto do aeroporto, ele declarou que o importante era poder ter mostrado um pouco da tradição afro-brasileira. “Já estive várias vezes aqui, temos grupos de capoeira em Paris e acho que ela está bem representada.”
 


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