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Juncker assume presidência da Comissão Europeia com promessas e desafios

Juncker assume presidência da Comissão Europeia com promessas e desafios
 
O novo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, apresentou as prioridades do seu mandato ao Parlamento Europeu. REUTERS/Christian Hartmann

A nova Comissão Europeia, presidida por Jean-Claude Juncker, assume suas funções no dia 1° de novembro. Os desafios da nova equipe não são poucos. O regresso ao trabalho de milhões de desempregados e a reconquista da confiança dos cidadãos europeus estão no topo da agenda de Juncker.

Letícia Fonseca, correspondente da RFI Brasil em Bruxelas

Antes de falar sobre os desafios, é preciso lembrar que Jean-Claude Juncker está herdando uma Comissão Europeia mergulhada em uma profunda crise de identidade, além, lógico, dos evidentes sinais de estagnação da economia em todo o continente. Estagnação esta, diga-se de passagem que ele mesmo ajudou a criar como presidente do Eurogrupo. A grande promessa de Juncker é a chamada “reindustrialização da Europa” e o regresso ao trabalho dos 25 milhões de desempregados, principalmente os jovens. Segundo Juncker, a Europa só sairá do poço, “quando regressar ao pleno emprego”. Em dezembro, ele deve lançar um ambicioso plano de investimento público e privado de 300 bilhões de euros para financiar projetos na área de energia, tecnologia digital, inovação e transportes, nos próximos três anos.

União Europeia desigual

Durão Barroso deixa uma União Europeia muito mais desigual do que quando assumiu há 10 anos. Para relançar o projeto europeu ele definiu cinco prioridades. A primeira, obviamente, é colocar as políticas que criam o crescimento e o emprego no centro da agenda política da próxima Comissão. A segunda prioridade é reformar e reorganizar a política energética da Europa. Em terceiro lugar, a Comissão pretende negociar um acordo comercial razoável e equilibrado com os Estados Unidos. A quarta prioridade é continuar com a reforma da união monetária, levando em consideração a dimensão social da Europa. E por último, é a resposta à questão britânica. O premiê britânico, David Cameron, se opôs desde o início à nomeação de Juncker. Cameron afirmou que se Juncker fosse escolhido, ele não garantiria a permanência da Grã-Bretanha na UE.

Partidos eurocéticos no Parlamento Europeu

Certamente, a nova Comissão terá que reconquistar a confiança dos eleitores europeus. A ascensão de partidos eurocéticos nas últimas eleições do Parlamento Europeu é uma prova da falta de confiança nas instituições em Bruxelas. Para Juncker, assim como para a chanceler alemã Angela Merkel, a melhor resposta a este avanço é a criação de empregos. E é por isso que uma das prioridades da nova Comissão é a implementação dessa política de competitividade, crescimento e emprego. Vale lembrar que, além de preparar as propostas de legislação da UE, a Comissão Europeia é responsável pela supervisão dos orçamentos nos 28 países do bloco e vela pelo respeito dos tratados.

Juncker, um veterano da política europeia

Jean-Claude Juncker foi primeiro-ministro de Luxemburgo e presidente do Eurogrupo. Podemos dizer que ele é um veterano da política europeia, com visão federalista. Ele vem do Partido Popular Europeu, de centro-direita, e defende uma maior integração na UE. O novo presidente da Comissão Europeia tem 59 anos e é conhecido como um hábil negociador de bastidores. Ele mesmo se descreve como “um reformista permanente”. Além de Jean-Claude Juncker, o novo trio forte de Bruxelas, será composto pelo primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, que assume o cargo de presidente do Conselho Europeu, e da nova chefe da diplomacia europeia, a italiana Federica Mogherini.


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