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Ello, a rede social "anti-Facebook", busca um novo modelo econômico

 Ello, a rede social
 
Ello, a rede "anti-Facebook" sem publicidade e gratuita ello.co/enter

Imagine uma rede social sem publicidade, que preserva seu anonimato, não vende seus dados para os anunciantes e não monitora seus cliques para usos comerciais... Esta é proposta de Ello, criada pelo designer Paul Budnitz, que já ficou conhecida como a rede anti-Facebook.

Ello atinge em cheio os internautas cansados das práticas nem sempre transparentes do site criado por Mark Zuckerberg e da sua excessiva popularização. A proposta do novo site é justamente restringir esse círculo, limitando o número de amigos apenas para pessoas mais próximas. O lay-out também é mais moderno, e o acesso, restrito a convidados. De acordo com o criador da rede, poucos dias depois do lançamento Ello já havia recebido 45 mil pedidos, mas por enquanto, o site está funcionando em versão beta e apenas alguns poucos eleitos podem utilizá-lo.

Para Jade LeMaître, especialista em redes sociais e professora da escola de tecnologia parisiense CNAM (Conservatoire National d’Arts et Métiers), a ideia dos fundadores foi criar um site “Anti-Facebook.” Segundo ela, o fato do site não ter se instalado na Silicon Valley, sede da maior parte das empresas de tecnologias, ajuda seus executivos “a não se contaminarem pela corrida ao investimento e à monetização.”

“Ello foi fundado por pessoas que buscaram capital junto a um fundo de investimento chamado Fresh Track, que investiu três vezes U$S 435 mil na rede. O interesse de um fundo, como todos sabemos, é recuperar seu investimento a partir de um certo ponto, ou seja, vender a empresa. E Ello só pode ser vendido a partir do momento que se torne rentável. No momento, os fundadores do site não querem comercializar os dados dos usuários, mas criar um modelo do tipo Freemium, onde os usuários pagam por determinadas funcionalidades. Agora resta saber se é possível, se isso pode ser feito, e se é um modelo que funcionará ao longo do tempo.”

Para a especialista, uma rede social precisa de muitos membros para se manter no mercado e isso necessita de uma grande infraestrutura. “Para que uma rede social possa existir, é preciso que ele encontre um modelo econômico que se diferencie do sistema conhecido como Freemium, que funciona bem com os games. A outra hipótese é cair na armadilha da “venda total” dos dados dos usuários. Até agora esse modelo ainda não foi encontrado e, honestamente, não tenho a menor ideia do que seria esse modelo", diz.

A consultora e chefe de projeto Catherine de Lamare, fundadora da empresa Créer des Liens, nunca foi adepta do Facebook para uso pessoal. Mesmo que o conceito “Anti-Facebook” seja sedutor, ela também se questiona qual será o modelo econômico da rede. “É possível inventar outros modelos. Ello propõe, por exemplo, o pagamento para o uso de algumas opções dentro da rede. Por que não? Eu quero saber para onde vão meus dados e essa é minha crítica em relação a Facebook. Muitos internautas agem sem conhecimento de causa e se expõem sem ter noção do risco que isso representa”, afirma.

Privacidade está na moda

Para o consultor em planejamento estratégico digital Marcus Cardoso, “a privacidade se tornou popular", o que ajuda a nova rede a se solidificar no mercado. "É pop falar de privacidade depois de Wikileaks, Snowden, NSA, dos Estados Unidos grampeando o cidadão comum...Mas dizer se a rede vai pegar e as pessoas vão usar ou não é difícil. Tem que esperar ou acompanhar essa curva de crescimento. O que constato,desde já, é que se trata de uma interface muito simplória e isso pode ter um efeito positivo ou negativo dependendo do tipo de usuário com quem estamos falando", conclui.
 


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