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Brasil é convidado de honra de concurso de vinhos em Bordeaux

Brasil é convidado de honra de concurso de vinhos em Bordeaux
 
João Carlos Taffarel, técnico da Embrapa Uva e Vinho e diretor de Espumantes da Associação Brasileira de Enólogos. Stivanin/RFI

O Brasil foi o convidado de honra da edição 2014 do concurso ''Citadelles du Vin'', que acontece todos os anos na região de Bordeaux e premia os melhores vinhos estrangeiros. Neste ano, a competição reuniu sommeliers do mundo todo nos dias 18 e 19 maio. A degustação incluiu 1081 vinhos de 28 países, incluindo 15 brasileiros.

O consumo de vinho no Brasil é de somente dois litros por habitante em um ano, mas a emergência da classe C e o desenvolvimento econômico recente no país o transforma em um mercado potencialmente atraente para os produtores franceses.

O problema é o preço: o produto chega a um custo inacessível para a maior parte da população, como explicou o presidente da Associação Brasileira de Sommeliers, Danio Braga."O governo brasileiro não entende o vinho como alimento, como na Europa. O vinho é tratado como super alcóolico, produzido com matérias-primas e são destilados em indústrias. O vinho não se fabrica, se produz e deveria ter um tratamento diferenciado, não para arrecadar imposto", diz.

O Concurso também foi uma oportunidade para mostrar o vinho brasileiro aos franceses e apresentar as regiões onde eles são produzidos. "O fato do Brasil ser o convidado de honra do evento mostra o interesse que o mercado mundial e os produtores têm em relação ao Brasil. O país tem um potencial bastante grande, zonas de produção e mercado para crescer. Apesar de não haver um grande consumo, temos potencial", disse João Carlos Taffarel, diretor técnico da Associação Brasileira de Enólogos.

Durante sua apresentação, ele explicou que novos estados, como Goiás e Paraná, têm surgido como áreas atraentes para a cultura. Hoje, 78% das vinícolas brasileiras estão na Serra Gaúcha, mas São Paulo, Santa Catarina e Minas Gerais também têm se destacado. "O Brasil é um país continental. Temos várias regiões menos tradicionais mas com bastante potencial, cada uma delas tem seu valor", ressalta.

De acordo com ele, os vinhos de Bordeaux e o Champagne ainda são os mais consumidos pelos franceses. Já o produto brasileiro mais conhecido na França é o espumante, explica o presidente do Concurso, Hervé Romat. "São vinhos frutados e fáceis de beber. A qualidade do vinho não é apenas ligada à sua nobreza, mas ao prazer que ele proporciona ao ser consumido."

Qualidade que, segundo ele, os vinhos brasileiros têm de sobra. Assim como Danio, para o especialista francês, impostos mais baixos facilitariam a exportação e também ajudariam a cultura do vinho do Brasil. "O preço ainda é uma barreira para o mercado."

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