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Hong Kong desafia China e abre museu sobre massacre de Tiananmen

Hong Kong desafia China e abre museu sobre massacre de Tiananmen
 
O primeiro museu mundial dedicado ao massacre na Praça de Tiananmen abriu dia 26 de abril em Hong Kong. REUTERS/Tyrone Siu

O próximo dia 4 de junho marca os 25 anos do massacre da Praça da Paz Celestial na China. Enquanto o governo chinês já começa a reprimir atos que relembram a trágica data, em Hong Kong o primeiro museu permanente do mundo dedicado ao episódio abre as portas. O espaço lembra as centenas de civis mortos pelas autoridades chinesas em uma violenta repressão a protestos de estudante, intelectuais e trabalhadores que pediam reformas democráticas e denunciavam a corrupção dentro do Partido Comunista Chinês.

 

Luiza Duarte, correspondente da RFI Brasil em Hong Kong

A grande importância de um espaço dedicado ao massacre da Praça da Paz Celestial está no fato do tema ser um forte tabu na China, enquanto Hong Kong, região administrativa especial, opera em um sistema mais liberal e permite que esse momento da história recente chinesa possa ser lembrado.

O principal objetivo dos organizadores é sensibilizar a nova geração, nascida depois de 89, e também atrair os turistas chineses de passagem por Hong Kong. O museu foi fundado pela Aliança em Apoio aos Movimentos Patrióticos e Democráticos na China, formado por ativistas pró-democráticos.

A onda de manifestações, que aconteceu do dia 15 de abril ao 4 de junho de 1989, foi encerrada pela intervenção do exército na Praça Tiananmen, também chamada de Praça da Paz Celestial, no centro da capital Pequim. No entanto, o governo chinês, que considera o episódio uma revolta contra-revolucionária, nunca divulgou um número oficial de mortos.

Visitando o museu

Museu em Hong Kong mostra esta foto, publicada no mundo inteiro, de um dos momentos mais fortes do dia do massacre na Praça da Paz Celestial, em 4 de junho de 1989. Jeff Widener (Associated Press)- http://www.alliance.org.hk

No espaço aberto do distrito comercial de Kowloon Tong, os visitantes atravessam um corredor da história com imagens e textos. Entre as imagens, está a cena que foi imortalizada como o símbolo da revolta: um civil sozinho que tenta bloquear o avanço dos tanques na praça.

Em seguida, o visitante passa por um espaço educativo multimídia que ganhou o nome de “Atreva-se a não esquecer”. Além disso, o público pode deixar suas mensagens ou opiniões em cartões e meios digitais. Uma livraria coloca à disposição livros, revistas e jornais relacionados ao massacre.

A exposição termina com uma réplica de 2 metros de altura da estátua da deusa da democracia, erguida em Pequim durante os protestos de 89. No local, os visitantes têm acesso também a pen drives com informações censuradas na China.

Museu ameaçado

Mal abriu, o museu já está ameaçado. Os proprietários do prédio tomaram medidas legais para impedir seu funcionamento, alegando que o museu violou o título de propriedade e que pode perturbar os outros inquilinos, devido à sua natureza política.

Os organizadores, que vão responder na justiça, denunciam que esses esforços estariam sendo orquestrados pelo Partido Comunista Chinês. Ao mesmo tempo, o departamento de imigração de Hong Kong vem sendo acusado de ter feito uma lista de dissidentes chineses para impedí-los de comparecer à comemoração do 25ª aniversário do massacre, que todo ano é marcada em Hong Kong por um grande protesto.

Clique acima para ouvir o programa completo.

 


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