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Geral

Sucesso da televisão brasileira, Avenida Brasil estreia na França

media As personagens principais de Avenida Brasil, Nina, vivida por Débora Falabella (à esquerda) e Carminha, interpretada por Adriana Esteves. Reprodução vídeo

O Brasil vai ficar mais perto da França a partir do dia 24 de fevereiro, quando estreia no canal francês France Ô a novela brasileira Avenida Brasil. Originalmente transmitida pela Rede Globo de março a outubro de 2012, a trama conquistou o público e a crítica no país: seu último capítulo teve 46 milhões de espectadores e recorde de audiência. A partir do próximo mês vai ser a vez dos franceses acompanharem a saga da personagem Nina (interpretada por Débora Falabella) contra a megera Carminha (vivida por Adriana Esteves).

Os franceses tiveram uma pequena mostra de Avenida Brasil nesta quinta-feira, dia 16 de janeiro, quando o primeiro capítulo da novela foi transmitida em uma festa organizada pela France Ô no célebre clube Favela Chic, em Paris. A versão francesa dos diálogos escritos por João Emanuel Carneiro levou os brasileiros às gargalhadas. Já os franceses se divertiram com a soirée Avenida Brasil e aplaudiram o primeiro capítulo e a iniciativa do canal francês.

Em entrevista à RFI, o diretor da programação da France Ô, Gilles Camouilly, explicou que o sucesso da novela no Brasil, aliado à aproximação da Copa do Mundo no país, foram fatores decisivos para que Avenida Brasil desembarcasse na França. “A France Ô está focada nesta ideia de abertura do mundo e de mistura de culturas, então, o Brasil é para nós o símbolo daquilo que defendemos na emissora. Além disso, também é importante lembrar que este é o único canal na França a transmitir as séries televisivas da América Latina. Avenida Brasil é uma novela da Globo que teve repercussão no mundo inteiro. Então, dificilmente a deixaríamos de lado”, denota.

Gilles Camouilly, diretor de programação da France Ô 17/01/2014 Ouvir

Para Camouilly, a temática atual e urbana da novela pode interessar a qualquer telespectador francês, mesmo que o público-alvo da France Ô sejam os cidadãos de departamentos ultramarinos que vivem na França. “Fomos tocados por essa novela porque ela trata de assuntos atuais, urbanos e que concerne toda essa geração que é cidadã do mundo, menos apegada a fronteiras e mais interessada na dinâmica cultural. Mas também queremos que o maior número possível de pessoas assistam a Avenida Brasil já que ela pode interessar todo o tipo de público”, ressalta.

 Público francês

Camouilly parece não estar equivocado ao apostar na variedade de telespectadores. O cineasta francês Benjamin Rassat confessa que, apesar de a França ter uma grande produção televisiva, a novela pode trazer novos cenários, formatos e horizontes para o público. Além disso, lembra Rassat, os franceses têm uma grande simpatia e uma notável curiosidade sobre o Brasil.

“O Brasil já vem chamando atenção do mundo inteiro ao se tornar uma economia muito importante. Quando uma novela chega em um país como a França, já habituada às séries americanas, inglesas e alemãs, finalmente os franceses têm a oportunidade de assistir a programações diferentes e que vêm do Brasil, este que é o país em destaque no momento”, diz.

O sucesso das novelas brasileiras não data de hoje. A trama Escrava Isaura, igualmente produzida e transmitida Rede Globo entre 1976 e 1977, também bateu recordes de exibições pelo mundo. Em alguns países, como na Rússia, ela chegou a ser exibida duas décadas depois da transmissão original no Brasil. As mais recentes Da Cor do Pecado (2004), do mesmo autor de Avenida Brasil, Terra Nostra (1999), de Benedito Ruy Barbosa, e O Clone (2001), de Glória Perez, foram exportadas a quase 100 países nos últimos anos.

Avenida Brasil, no entanto, desbancou todas as produções anteriores e bateu o recorde de exportação. Nos últimos 10 meses, a novela foi exibida em 124 países e dublada em 17 línguas. Em Portugal, o índice de audiência do último capítulo chegou a 16,1 pontos – o que representa 1,5 milhão de telespectadores e um dos programas mais assistidos até hoje no país.

Nas terras tupiquinins, o desenrolar da história invadiu as redes sociais – uma estratégia incentivada pela própria produção da novela de João Emanuel Carneiro. O último capítulo esvaziou as ruas das principais capitais do país e a imprensa brasileira chegou a alertar para um possível “apagão” em algumas cidades em vista da alta audiência. Entre os 46 milhões de telespectadores do final de Avenida Brasil, estava a própria presidente Dilma Rousseff, que teria cancelado compromissos para acompanhar o desfecho da trama.

Retrato fiel da sociedade brasileira

Mas o que Avenida Brasil tem que as outras não têm? Na prática, a trama conta a história da vingança de Nina, personagem vivida por Débora Falabella, contra sua madrasta Carminha, interpretada por Adriana Esteves. Após a morte do pai de Nina, Carminha a abandona em um lixão. A órfã adotada por um casal argentino, e volta ao Brasil anos depois para se vingar de sua madrasta, agora casada com o jogador de futebol Tufão, vivido por Murilo Benício.

Além da vingança da mocinha, das malvadezas desenfreadas da vilã, o enredo amoroso e as inúmeras reviravoltas na história também captaram a atenção do público brasileiro. No entanto, a crítica ressalta que a modernidade da obra, que mostraria um retrato fiel da sociedade brasileira deste momento, é o segredo de Avenida Brasil. Sua qualidade cinematográfica foi outra característica frequentemente evocada durante sua exibição.

O professor de música Wendell Bara acredita que há uma facilidade de identificação do público com a trama de João Emanuel Carneiro porque ela mostra uma realidade do país sem estereótipos, distante dos assuntos frequentemente abordados nas novelas.

Já o músico Bizeca acredita que a desmistificação de alguns temas como “pobreza, favela, mulher, futebol” é um dos pontos-chave da novela. “Avenida Brasil mostra o país de uma forma inteligente, sem ‘vender’ a miséria, o favelado e outros assuntos clichês, mas destacando no que o Brasil vem se transformando nos últimos anos: um país com mais cultura, informação, política e consciência”, explica.

Se o público francês vai ser conquistado pela megera Carminha ou a valente Nina, a exemplo do que aconteceu com os brasileiros, resta esperar a estreia da novela na France Ô no dia 24 de fevereiro. O que parece incontestável é que, seja no Brasil ou no exterior, a obra de João Emanuel Carneiro representa uma importante evolução na história das novelas brasileiras. Ao menos até as cenas do próximo capítulo.
 

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