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Sul-africanos mostram visão diferente da morte no adeus a Mandela

Sul-africanos mostram visão diferente da morte no adeus a Mandela
 
RFI/Didier Bleu

As cerimônias de despedida de Nelson Mandela na África do Sul entraram hoje em seu segundo dia, marcado pela primeira exposição pública do corpo do líder negro e ex-presidente à população do país. O velório acontece no complexo Union Buildings, sede do governo em Pretória, o mesmo local em que Mandela realizou seu célebre discurso de posse nos anos 90.

Clique acima para ouvir as informações de Andrei Netto, enviado especial do jornal "O Estado de São Paulo" à Pretória

O evento de hoje tem um perfil diferente do realizado na terça-feira, quando mais de 90 chefes de Estado e de Governo compareceram ao estádio Soccer City, na periferia de Johanesburgo, para prestar homenagem ao líder que acabou com o apartheid, o regime de segregação racial na África do Sul. A principal diferença é que, em Pretória, o evento terá um caráter mais popular, de despedida, do que de tributo político.

Em todo o país, os sul-africanos festejam o legado de Mandela com alegria, sem tristeza ou amargura pelo seu falecimento. A população tem demonstrado uma outra visão a respeito da morte, celebrando a vida de Mandela, a história do líder e seus 95 anos de luta pela liberdade e a democracia. Negros ou brancos, os sul-africanos integraram a mensagem de união deixada por Mandela: o que importa é que todos são membros do mesmo país e devem trabalhar unidos pelo desenvolvimento da nação.

O trabalho de conciliação de Mandela marcou os sul-africanos para sempre, mas isso não significa que o país superou todos os desafios. Muito pelo contrário, o futuro sem Mandela ainda é uma incógnita.

Os dois presidentes que sucederam Mandela no poder, primeiro Thabo Mbeki e depois Jacob Zuma, são figuras políticas polêmicas, que geraram vaias durante o evento no estádio Soccer City. Mbeki foi acusado de incompetência e corrupção. Zuma foi acusado de corrupção e até mesmo de estupro, que é um problema endêmico na África do Sul, atualmente menos grave que no passado, mas não totalmente resolvido. Esses dois líderes não têm o mesmo carisma, a mesma história, a mesma ascensão moral que Mandela exercia sobre a população.

No ano que vem, a África do Sul terá eleições. O país tem caminhado de maneira tão unida desde a redemocratização que elegeu nos últimos anos três presidentes negros. Mas não será surpreendente se na votação no ano que vem, um branco voltar ao poder. Seria a prova do amadurecimento da nação arco-íris com a qual Mandela tanto sonhou. 

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