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Geral

Sob protestos, vítima de estupro coletivo é cremada em Nova Délhi

media Manifestações tomaram as ruas de Nova Délhi enquanto a jovem que morreu em decorrência de um estupro coletivo era cremada na capital. REUTERS/Ahmad Masood

A cerimônia de cremação da estudante de 23 anos, que morreu em decorrência de um estupro coletivo na Índia, foi realizada neste domingo de manhã na capital Nova Délhi, enquanto manifestações tomaram novamente as ruas da capital indiana. Durante o funeral, uma amiga da jovem anunciou que ela deveria se casar em fevereiro com o garoto com quem estava quando foi violentamente agredida.

A estudante de medicina foi cremada conforme a tradição hindu, em presença de seus familiares e de autoridades políticas, no sudeste da capital indiana. A cerimônia aconteceu algumas horas após a chegada de seu corpo a Nova Délhi, onde os pais da garota foram acolhidos pelo primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh e a presidente do partido do Congresso no poder, Sonia Gandhi.

A jovem, cujo nome não foi revelado, morreu no sábado no hospital Mount Elizabeth de Cingapura, para onde ela foi transferida em estado crítico após passar por três intervenções cirúrgicas. Ela apresentava graves lesões no intestino e no cérebro e teve uma parada cardíaca ainda quando estava na Índia.

No dia 16 de dezembro, a garota e seu namorado voltavam do cinema onde haviam assistido ao longa “As Aventuras de Pi”, quando ela foi estuprada e agredida com um barra de ferro por seis homens em um ônibus, inclusive o motorista. Ela e seu companheiro foram jogados do veículo em movimento após as violências.

Uma amiga da vítima, Meena Rai, contou hoje às agências de notícia que a garota deveria se casar em fevereiro. “Eles estavam preparando todos os detalhes do casamento e tinham previsto de festejar a lua-de-mel em Nova Délhi”, disse a amiga que havia inclusive acompanhado a estudante para escolher seu vestido.

A garota vinha de uma família pobre do interior do país, onde seus pais venderam sua casa para financiar os estudos de medicina da vítima. Próximo do aeroporto da capital, a estudante, seus dois irmãos e seus pais viviam em um apartamento de uma única peça.

Protestos

Milhares de indianos promoveram um novo dia de protestos em Nova Délhi e policiais tiveram que intervir para conter a multidão. Vários manifestantes foram presos. A população exige que o governo apresente soluções contra os crimes de violência sexual.

As agressões sexuais e estupros coletivos são frequentes no país onde 90% dos quase 300 mil crimes de violência registrados em 2011 são mulheres, de acordo com dados oficiais.

O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, prometeu reforçar a pena dos agressores sexuais. As fotos, nomes e endereços dos criminosos serão publicados nos sites da administração federal. A medida começará a ser aplicada em Nova Délhi, que é conhecida como “a capital do estupro”.
 

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