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Geral

Líderes mundiais reclamam nova estratégia de combate às drogas

media Relatório preconiza que os governos incentivem modelos de regulamentação, principalmente a maconha. Reuters

Uma comissão internacional formada por ex-presidentes do Brasil, Colômbia, México e Suíça, entre outros líderes mundiais, clama por uma mudança de paradigma na política global de luta contra as drogas. Relatório preconiza que os governos incentivem modelos de regulamentação, principalmente a maconha.

Victória Álvares, em colaboração para RFI

A luta anti-drogas “fracassou” e mudanças “urgentes” na estratégia de combate ao consumo de drogas e ao crime organizado são necessárias. Esta é a principal mensagem do relatório da Comissão internacional de políticas sobre Drogas, apresentado nesta quinta-feira em Nova York.

"Cinqüenta anos após o início da Convenção Única sobre Entorpecentes, e 40 anos depois que o presidente Nixon lançou a guerra global às drogas, as reformas fundamentais nas políticas de controle nacional e mundial de drogas são urgentes", afirmou num comunicado o presidente da Comissão e ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso. Para o sociólogo, a dependência química deve começar a ser tratada “como um problema de saúde, reduzindo a demanda de drogas através de iniciativas educacionais comprovadas e regulando, em vez de criminalizar, a maconha”.

Outros ex-presidentes latino-americanos compõem a Comissão, como o mexicano Ernesto Zedillo e o colombiano César Gaviria, que acredita ter chegado “a hora de quebrar o tabu nas discussões sobre todas as opções das políticas de drogas, incluindo alternativas à proibição". Outras grandes personalidades internacionais, como o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e os escritores Carlos Fuentes e Mário Vargas Llosa fazem parte desta equipe de 19 pessoas.

O relatório da Comissão Global de Políticas sobre Drogas preconiza que os governos incentivem modelos de regulamentação legal de drogas (principalmente a maconha) para diminuir o poder do crime organizado e garantir a saúde e a segurança de seus cidadãos. Eles recomendam que os governos parem de criminalizar e estigmatizar os usuários “que não causam mal a outros”, dando assim prioridade a um tratamento mais humano, visto que se trata de um problema de saúde pública e não de segurança. A Comissão lembra ainda que a descriminalização não gera necessariamente um aumento no consumo das drogas, como ficou demonstrado em países como Portugal e Holanda.

 

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