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Geral

Le Monde rejeita tese do erro humano na queda do AF 447

media Imprensa internacional. RFI

O Le Monde com data de segunda-feira dedica sua manchete às questões que permanecem sem resposta na tragédia do voo AF 447 da Air France. Para o jornal francês, o relatório divulgado na sexta-feira pela BEA, agência francesa que investiga as causas do acidente, relata uma sucessão terrível de acontecimentos mas não estabelece as causas da catástrofe aérea.

O respeitado jornal francês estima que da maneira como a BEA divulgou os 4 minutos e 23 segundos anteriores à queda do avião no oceano Atlântico, as manobras feitas pelos pilotos para recuperar o controle do avião podem criar controvérsia.

Le Monde considera paradoxal que os pilotos tenham empinado o avião em vez de baixar de altitude, como mandam os procedimentos em caso de desligamento do piloto automático. O jornal se recusa, no entanto, a acreditar que os pilotos do AF 447 tenham se enganado em relação a uma manobra que é a lição número 1 nos cursos de pilotagem. Sem parâmetros de velocidade, a ordem é inclinar o avião para a frente a fim de recuperar a estabilidade. Segundo Le Monde, essa manobra deve ser feita rapidamente porque, em altitude e velocidade elevadas, o aparelho pode despencar.

Ouvido pelo jornal, o piloto François Grangier, comandante de bordo de modelos Airbus A330, se recusa a aceitar a tese do erro humano. O piloto, perito em acidentes aéreos em tribunais, acredita que a tripulação do AF 447 teve nas mãos um avião ingovernável. O jornalista Pierre Sparaco, membro da Academia do Ar e do Espaço, diz ao Le Monde que os pilotos se viram obrigados a reagir num espaço de tempo mínimo e sem condições de ter uma percepção correta da situação.

Le Monde conclui que as partes envolvidas - Sindicatos dos Pilotos, o construtor Airbus e a companhia aérea Air France - estão mais preocupados em defender suas posições do que esclarecer o que de fato levou a tripulação e os 212 passageiros do voo AF 447 à morte. Para o jornal francês, cabe aos investigadores da BEA dar continuidade ao trabalho de análise minuciosa dos dados contidos nas caixas-pretas, que só eles, na opinião do Le Monde, poderão talvez explicar o paradoxal comportamento dos pilotos.

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