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França

Sindicato policial diz que ataque na sede da polícia de Paris foi "drama humano"

media A sede da Polícia de Paris, na ilha da Cité, foi isolada por um perímetro de segurança após o ataque que deixou cinco mortos. Martin BUREAU / AFP

Quatro funcionários públicos, sendo três deles policiais, morreram esfaqueados nesta quinta-feira (3) na sede da Polícia de Paris. Eles foram atacados por um agente administrativo de 45 anos que trabalhava há 16 anos no local.

O agressor usou uma faca de cozinha contra as vítimas – três homens e uma mulher – e foi morto a tiros no local ao oferecer resistência para abandonar a arma branca. Uma quinta funcionária, gravemente ferida no ataque, encontra-se hospitalizada.

Informações preliminares indicam que o agente vivia em conflito com seus superiores hierárquicos. Ele era surdo e trabalhava como informático na Diretoria de Inteligência. Apesar dos desentendimentos conhecidos pelos colegas de trabalho, ele era considerado um funcionário exemplar. O ministro do Interior, Christophe Castaner, declarou que o homem nunca apresentou problemas de comportamento.

Nascido na Martinica, o agressor era casado e deixa dois filhos de 9 e 3 anos de idade. Sua esposa foi detida para interrogatório.

O procurador da República em Paris, Rémy Heitz, informou ter aberto uma investigação por homicídios intencionais e tentativa de homicídio intencional. Até o momento, o Tribunal Antiterrorista de Paris não foi acionado. Porém, uma informação está sendo checada pelos investigadores: o agressor se converteu ao islamismo há um ano e meio.

Uma operação de busca e apreensão foi realizada na casa do agente administrativo, na periferia de Paris. Vizinhos contaram que ele frequentava a mesquita do bairro, mas era uma pessoa tranquila, sem sinais de extremismo.

O ataque mobilizou o presidente Emmanuel Macron, o primeiro-ministro Édouard Philippe e o ministro do Interior. Eles compareceram à sede da polícia para "testemunhar apoio e solidariedade aos funcionários", chocados com o incidente. Macron descreveu um "drama terrível" para a polícia francesa.

O Sindicato Unidade SGP de Polícia publicou um comunicado no qual afirma que o incidente "é um drama puramente humano, sem conexão com a profissão policial e poderia ter ocorrido em qualquer ambiente profissional".

O crime acontece no dia seguinte de uma manifestação inédita de policiais nas ruas de Paris para denunciar a degradação das condições de trabalho, a reforma da Previdência e o número recorde de suicídios na categoria. Desde o início do ano, 52 policiais se mataram na França. Eles têm expressado com frequência uma sobrecarga de trabalho. A mobilização iniciada pelos atentados terroristas de 2015, somada a oito meses de manifestações dos coletes amarelos e tarefas administrativas acumuladas geram pressão e um alto grau de insatisfação nos policiais franceses.

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