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França

Chirac orientava amigo Lula em suas viagens à África, revela historiador

media Jacques Chirac, ex-presidente da França de 1995 a 2007, morreu nesta quinta-feira 26 de setembro de 2019. AFP Photos/POOL/Patrick Kovarik

O historiador brasileiro Luiz Felipe de Alencastro, que viveu na França muitos anos, concedeu uma entrevista à RFI para falar do legado do ex-presidente Jacques Chirac, morto nesta quinta-feira (26) aos 86 anos. Para ele, o principal legado do ex-chefe de Estado é o reconhecimento da responsabilidade da França na deportação de judeus, em 1995. Alencastro também lembra a excelente relação do ex-presidente com o Brasil e revela que Chirac orientava o amigo Lula em suas viagens à África.

O professor emérito da cátedra de História do Brasil da universidade Paris-Sorbonne e atual professor da escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas ouviu a informação de diplomatas e do próprio Lula. “Chirac e Lula, que o ex-presidente francês apoiou bastante, eram muito amigos. Cada vez que Lula ia à África, e ele foi o presidente que mais viajou aos países africanos, o Chirac ligava para ele de sua própria iniciativa e o informava do quadro, das personalidades que ia encontrar”, conta Alencastro. A França, que tem várias ex-colônias na África, possui laços históricos com o continente.

O historiador e cientista político Luiz Felipe de Alencastro RFI

O historiador lembra que a relação do ex-presidente conservador com o Brasil começou bem antes da chegada do petista ao poder. “Chirac também era próximo de Fernando Henrique Cardoso”. Ele, aliás, deu continuidade à aproximação com o Brasil iniciada por François Mitterrand. Foi o presidente socialista que fixou a fronteira entre a França e o Brasil, isto é, entre o Amapá e a Guiana. “As pessoas às vezes esquecem. A maior fronteira da França é com o Brasil. (...) Todos os presidentes anteriores ao Bolsonaro, tiveram sempre boas relações com a França”, ressalta.

Como presidente, Chirac visitou o Brasil duas vezes, em 1999 e em 2006. Mas antes, quando era primeiro-ministro de Valéry Giscard D’Estaing (1974/1976) e de François Mitterrand (1986/1988), também foi ao país. Segundo Alencastro, quando estava no Rio, o premiê “escapava dos compromissos e ia ao Esplanada, que era o bar preferido do Tom Jobim, tomar caipirinha e conversar com os jornalistas”.

Legado

Alencastro aponta dois pontos positivos que vão marcar para sempre a imagem de Chirac. O primeiro, no plano internacional, é o voto na ONU contra a guerra no Iraque, em 2003. O segundo é o reconhecimento da responsabilidade da França na deportação dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. “Uma contribuição importante para a história da França”. A decisão pioneira de Chirac “rompeu com um consenso da direita gaulista, dos fascistas e da esquerda que existia desde a Libertação da França. Este consenso dizia que o governo de Pétain era ilegítimo e que a responsabilidade era dos nazistas (que ocupavam a França)”, explica.

Outra boa iniciativa foi a criação do museu do Quai Branly das artes e civilizações da África, Ásia, Oceania e Américas, que foi rebatizado Jacques Chirac antes mesmo da morte do ex-presidente.

Retomada de teste nucleares

Mas há também pontos negativos no legado de Chirac. Alencastro destaca a retomada dos testes nucleares na Polinésia Francesa, autorizada pelo presidente em 1995. “Essa coisa de explodir bomba atômica ao ar livre num lugar paradisíaco chocou a opinião pública internacional!”

O historiador faz uma comparação entre esses testes nucleares, a crise atual na Amazônia e a discussão pela soberania. “A França partiu do princípio, em 1995, que podia explodir uma bomba atômica em Taiti porque era território francês. Mas evidentemente, teve uma reação mundial porque isso tem um impacto muito mais planetário. É o caso da Amazônia. Você não faz o que quer na Amazônia e isso tem um impacto no mundo inteiro”.

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