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"João Gilberto sintetizou o samba", diz Bernardo Lobo ao homenagear compositor em Paris

 
O cantor e compositor Bernardo Lobo. RFI

Ele tem um pouco da música brasileira no nome. Bernardo Lobo, filho de Edu Lobo e neto de Fernando Lobo, está na França para homenagear um ícone da bossa nova: o compositor João Gilberto. O concerto estreou no Rio de Janeiro, passou pela Embaixada do Brasil em Lisboa e chega a Paris, onde o músico conversou com a RFI.

Para assitir à entrevista na íntegra, clique no vídeo abaixo.

O show acontece na noite dessa quinta-feira (19), no Sunset-Sunside. No convite, a casa de espetáculos francesa anuncia uma mistura sofisticada de samba, baião, ciranda, afoxé e xote. Mas o repertório, dessa vez, reúne o melhor do jazz brasileiro.

“É um show específico para homenagear o grande gênio, o mestre, João Gilberto, da mundialmente famosa bossa nova”, explica Bernardo Lobo.

O compositor carioca, de 47 anos, conta que não teve relação direta com João Gilberto, mas aprendeu a tocar violão com músicas da bossa nova, inspirado pela batida inventada por ele.

“As pessoas me perguntam se eu conheci o João Gilberto. A resposta é não, até porque ele tinha contato com pouca gente. Mas eu fiquei amigo do filho dele, o Marcelo, que me convidou para ir à casa dele e quando eu cheguei lá ele mostrou o violão do pai e perguntou se eu queria tocar. Claro que eu quis, foi emocionante”, relembra.

O criador da bossa nova

Um dos artistas mais geniais da música brasileira, João Gilberto criou uma batida nova de violão, com influências do jazz, para tocar samba. Assim surgia a bossa nova.

“A bossa nova é um nome, que acabou batizando um movimento, como se fosse um ritmo mas, na verdade, a bossa nova é um samba”, explica Bernardo Lobo.

"O João Gilberto criou um terceiro instrumento, que é a voz e o violão juntos. Tanto que ele se apresentava sozinho com o violão, era um casamento perfeito. Ele brincava com o ritmo, antecipava ou atrasava, coisas que só ele sabia fazer”, afirma, com admiração.

Chega de Saudade

Em 1958, João Gilberto gravou "Chega de saudade", ao acompanhar Elizete Cardoso ao violão, numa das primeiras gravações dessa chamada “batida da bossa nova”. Era uma sonoridade original e moderna para a época.

“Havia quatro coisas novas revolucionárias: a batida do violão, que nunca ninguém havia escutado daquela forma, o canto do João Gilberto, que era uma coisa nova, a poesia do Vinícius de Moraes e a música do Tom Jobim, outro embaixador da música brasileira”, define.  

Nesse período, a música popular brasileira ganhou o mundo. A bossa nova virou moda nos Estados Unidos, na Europa e no Japão. E influenciou as novas gerações.

“O João Gilberto sintetizou o samba naquela batida que ele criou sozinho e revolucionou a música brasileira. A partir dali, todos os músicos da geração do meu pai foram influenciados por ela”, conta.

Cartaz da homenagem a João Gilberto Divulgação

A homenagem

João Gilberto morreu no dia 6 de julho de 2019, deixando uma herança incomensurável.

“Quando o João Gilberto morreu, eu estava em São Paulo, na semana de lançamento do meu disco. Eu fiquei muito triste e decidi tocar ‘Sampa’, uma música que ele gravou. Depois, no Rio, eu toquei ‘Samba da Minha Terra’ e pensei que quando voltasse para a Europa eu faria um show em homenagem a ele”, conta Bernardo Lobo, ao explicar como surgiu a ideia para essas apresentações.

Disco novo

O músico acaba de lançar o seu sexto disco, uma homenagem a outro compositor marcante da música brasileira: Marcos Valle. Os franceses poderão conferir o show “Uma viola mais que enluarada” em novembro, em Paris.

Essa parceria com Marcos Valle resultou em duas canções novas, assinadas pelos dois compositores.

“Esse trabalho me emociona muito. A ideia era de um produtor de São Paulo, que queria um show meu só como cantor, com músicas do Marcos Valle, e nós começamos a selecionar os clássicos dele”, lembra Bernardo.

“A partir daí, eu comecei a me aproximar do Marcos Valle e, durante um jantar em Portugal, eu mostrei uma música que eu tinha feito para o nascimento da minha filha, Maria, e pedi para ele escrever a segunda parte”, diz.

“Agora a história se repetiu, minha mulher estava grávida do nosso segundo filho, do meu menino, e aí escrevemos ‘Menino Guerreiro’ para o Antônio”, conclui, emocionado.


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