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França

AF447: Ministério Público vai apelar da decisão de isentar Air France e Airbus

media Voo AF447: juízes isentam Airbus e Air France, mas Ministério Público francês vai apelar. agenciabrasil/Roberto Maltchik

O Ministério Público (MP) francês anunciou nesta sexta-feira (6) que irá recorrer da decisão da Justiça de não julgar a companhia Air France e a fabricante Airbus pela tragédia com o voo AF447. O arquivamento foi determinado pelos juízes de instrução encarregados da investigação do acidente do voo Rio-Paris, que deixou 228 mortos em 2009.

Em suas requisições, emitidas em meados de julho, a promotoria havia decidido a favor de um julgamento para a companhia aérea Air France, acusada de "negligência" e "imprudência", mas não para a fabricante Airbus.

No entanto, a orientação não foi seguida pelos juízes investigadores, que consideraram que as acusações contra as duas empresas, feitas em 2011 por "homicídio involuntário", eram insuficientes para justificar um julgamento.

O vôo AF447 caiu no oceano Atlântico em 1º de junho de 2009. Todos os 228 passageiros e tripulantes, de 34 nacionalidades, morreram no acidente, o mais mortal da história da companhia francesa. Ponto de partida do desastre: a formação de gelo durante o voo nas sondas de velocidade pitot, o que levou a uma interrupção nas medições de velocidade do Airbus A330 e desorientou os pilotos até a aeronave cair.

"Este acidente é explicado claramente por uma conjunção de elementos que nunca ocorreram e, portanto, destaca perigos que antes não eram percebidos", disseram os juízes Nicolas Aubertin e Fabienne Bernard, em sua requisição de 29 de agosto. “As investigações, que objetivaram saber se era possível atribuir à companhia aérea ou à fabricante uma responsabilidade indireta nesse acidente, não levaram a caracterizar uma violação incorreta da Airbus ou da Air France em conexão com as falhas de direção na origem do acidente", prosseguiram.

A decisão despertou a ira das famílias das associações de vítimas, que anunciaram imediatamente que apelariam. "Como não pensar que esta decisão é guiada por interesses econômicos superiores aos da Justiça?", denunciou em comunicado a associação AF447 Ajuda Mútua e Solidariedade, denunciando uma ordem que "insulta a memória das vítimas".

Desde seu início, a investigação resultou em uma batalha de especialistas para estabelecer as responsabilidades na sequência de fatos que levou à catástrofe.

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