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França

Drama de animais da indústria turística é tema de exposição em Festival de fotojornalismo

media Macaco usado em apresentações em Chaing Mai, Tailândia. © Kirsten Luce / National Geographic / NG Image Collectio

O desmatamento na Amazônia é a questão urgente que mobiliza o mundo inteiro, mas uma outra problemática, em menor escala e bem menos visível, atinge a vasta região: a exploração de animais para alimentar a indústria turística local. Esta é uma das denúncias apresentadas na exposição da fotógrafa americana Kirsten Luce no Festival de fotojornalismo Visa Pour L’Image, que acontece em Perpignan, no sul da França. 

Enviado especial a Perpignan,

Intitulada “A face oculta do turismo da fauna”, a mostra integra a programação do mais prestigioso evento sobre fotojornalismo, que traz uma seleção rigorosa de trabalhos sobre temas que estiveram no foco da atualidade nos últimos meses. Entre eles, a tensão entre as duas Coreias, a crise no Iêmen, a guerra civil na Líbia, o movimento dos coletes amarelos na França, e o drama de migrantes no Mar Mediterrâneo. 

A exposição da americana Kirsten Luce traz um conjunto de imagens recolhidas durante pouco mais de um ano em viagens por dez países. Seu objetivo é mostrar o sofrimento e maus tratos infringidos aos animais e expor os bastidores da exploração de diferentes espécies usadas para alimentar um segmento lucrativo, pouco vigiado e combatido, e muitas vezes até incentivado por autoridades e empreendedores.

Uma viagem de dez dias por três países da região amazônica - Brasil, Colômbia e Peru - despertou o interesse por um tema da qual a fotógrafa não tinha intimidade, mas que a levou a provocar uma reflexão sobre o tratamento reservado aos animais que aparecem nos clichês compartilhados à exaustão por usuários das redes sociais.

“Essa viagem despertou algo em mim. Eu constatei que era um problema muito maior do que imaginava”, explicou na entrevista à RFI.

Duas fotos tiradas no Brasil foram selecionadas para integrar a ampla mostra: em uma delas, uma turista é fotografada com um bicho-preguiça ao lado de dois indígenas. Segundo Kirsten, o registro foi feito depois da visitante ter pagado por uma visita organizada por um operador turístico na região de Manaus.

Em outra imagem, em um parque de atrações amazonense, um grupo alegre de turistas, incluindo uma criança, aparece alimentado um boto rosa com um peixe para poder se divertir e brincar tranquilamente com o animal.

Foto tirada por Kirsten Luce em um parque de atrações na região amazônica que mostra turistas brasileiros alimentando um golfinho. Foto: Elcio Ramalho / RFI

Ao cruzar a fronteira colombiana, ela flagrou um homem que se exibe nas ruas com dezenas de macacos pendurados, que vivem em cativeiro.

De acordo com a fotógrafa, o fenômeno na região amazônica se acentuou nos últimos cinco anos, com a popularização das redes sociais. “Quanto mais o Instagram ganhou em popularidade, (a indústria turística) começou a se expandir, alimentando interesse das agências em atender a demanda dos turistas”, constatou.

Se por um lado a exposição de selfies ao lado de animais ampliou o fenômeno, por outro lado, estimulou as denúncias dos maus tratos. Durante uma visita guiada pela exposição, Kirsten explicou que por meio de hashtags no Instagram identificou os países onde a prática exploratória de animais é mais expandida, embora nem sempre ilegal.

Assim ela concentrou seu foco na Tailândia, “o epicentro do turismo com elefantes”. O país tem 3.500 animais da espécie vivendo em cativeiro em parques de atrações ou santuários. Para serem adestrados e permitirem o contato com humanos, são separados dos pais e submetidos a tratamentos considerados cruéis.

“Viajar para lugares como a Tailândia e posar ao lado de elefantes e tigres se tornou banal. Pessoas estão cada vez mais assumindo esse comportamento. Eles veem amigos, celebridades, influencers tirando fotografias assim e querem reproduzir a mesma coisa”, denuncia.

A fotógrafa americana Kirsten Luce durante visita guiada aos visitantes da exposição "A face oculta do turismo da fauna". Foto: Elcio Ramalho / RFI

Kirsten sustenta sua tese com fotos como a de uma atriz americana posando na frente de um elefante domesticado por uma quantia estimada em US$ 200. De acordo com a fotógrafa, o animal teria atravessado um rio só para compor o cenário antes de voltar a seu cativeiro. Ainda na Tailândia, turistas postam ao lado de tigres sob efeito de soníferos, para que não ofereçam riscos. Outro clichê mostra uma luta de boxe de orangotangos, além de outros macacos que são adestrados para exibições em circos.

Um dos casos que mais a chocou foi o de Gluay Hom, um elefante macho de quatro anos que estava com a pata quebrada e feridas na cabeça. Ele foi encontrado isolado em um cativeiro usado para reunir animais que se apresentam em um santuário na periferia de Bancoc. 

Elefante é mantido em cativeiro e usado em apresentações para os turistas na Tailândia. © Kirsten Luce / National Geographic / NG Image Collection

Aposta na conscientização

Para dar uma dimensão global do problema, Kirsten Luce fez questão de ir à Rússia acompanhar a tradição de famílias e turistas de posar para fotografias ao lado de ursos. Os animais passam por adestramento para ficar sob duas patas enquanto o clichê é registrado.

Ela investigou ainda o trabalho de circos itinerantes que propõem espetáculos marinhos com golfinhos e baleias brancas criados em cativeiros infláveis e transportados em caminhões de cidade em cidade, e ainda registrou o único espetáculo que usa um urso polar, exibido com uma focinheira. 

“Quero que as pessoas que vivam neste locais e os que os visitam tenham consciência do sofrimento desses animais. Muitos sabem o que acontece por trás das imagens”, afirma.

Urso polar usado em um espetáculo de circo na Rússia. © Kirsten Luce / National Geographic / NG Image Collection

Kirsten tem um olhar crítico não apenas ao comportamento dos turistas ocidentais. Ela termina a visita guiada com uma imensa fotografia de um grupo de chineses com aparelhos celulares registrando um espetáculo com crocodilos e outros animais selvagens em cativeiro.

A China superou americanos e europeus em número de turistas enviados à Tailândia, onde muitos santuários e parques apostam neste lucrativo negócio.

“As pessoas têm que saber a diferença entre um santuário de proteção e um local selvagem e abusivo para os animais”, adverte.

Kirsten ainda não sabe se conseguirá financiamento para levar adiante sua investigação sobre o tema, mas revela um otimismo prudente sobre a sensibilização dos responsáveis pelo setor e principalmente dos turistas. “A indústria turística é muito empreendedora e se os turistas pressionaram para viver experiências mais éticas, acredito que as coisas possam mudar”, diz.

A exposição “A face oculta do turismo da fauna” fica em cartaz no Festival Visa Pour L’Image de Perpignan até o dia 15 de setembro.

Clique abaixo para ver o vídeo da exposição

 

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