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França

Em Paris, cacique brasileiro diz suspeitar da vontade de Bolsonaro proteger a Amazônia

media O cacique Almir Narayamoga falou na abertura do tradicional encontro anual dos empresários da França, nesta quarta-feira 28 de agosto de 2019, em Paris. REUTERS/Benoit Tessier

O cacique brasileiro Almir Narayamoga, do povo Suruí, participou nesta quarta-feira (28) da abertura do tradicional “Encontro dos executivos da França”, organizado pelo Medef, a poderosa entidade de empresários franceses. Ao lado de chefes de Estados, ministros europeus e personalidades francesas, ele disse não confiar no presidente Bolsonaro em relação à proteção da floresta Amazônica.

Com informações de Pauline Gleize da RFI

O cacique Almir Narayamoga, de Rondônia, foi convidado para participar do importante evento do Medef, que acontece todos os anos, antes que os incêndios da Amazônia ocupassem as primeiras páginas dos jornais e preocupassem o mundo. Apresentado como um dos mais importantes ativistas da América do Sul em favor do clima e vencedor de vários prêmios internacionais, ele veio falar, segundo o programa do evento, “sobre o impacto do aquecimento global para o futuro do capitalismo”.

Mas as queimadas e as polêmicas criadas pelo presidente Jair Bolsonaro dominaram sua fala. Há anos o cacique milita pela preservação da floresta amazônica, onde nasceu. Foi ele quem conseguiu que o Google Earth passasse a ajudar no monitoramento do desmatamento.

Aos participantes do encontro do Medef, Almir Narayamoga pediu que os europeus passem a prestar atenção nos produtos que consomem, provenientes da floresta. “É necessário conhecer o impacto dos produtos antes de comprá-los. É assim que vocês podem nos ajudar”, declarou o cacique Suruí.

A posição lembra a advertência de ambientalistas franceses. Várias ONGs do meio ambiente são contrárias ao acordo União Europeia-Mercosul por considerar que o consumo de produtos do agronegócio brasileiro, como carne e soja, incentiva o desmatamento da floresta para o aumento das terras agrícolas.

Ajuda do G7 para combater os incêndios

O cacique também disse não confiar no presidente Bolsonaro. Ele lembrou que desde a campanha eleitoral, o presidente brasileiro afirma que “a floresta derrubada é a melhor forma de desenvolver o Brasil”.

“Eu não acho que ele tenha a responsabilidade de cumprir a proposta do G7 se ele aceitar este apoio. E muito vago para mim. Até por que ele acabou com todo o espaço da representação da sociedade civil dentro do ministério do Meio Ambiente e outras instâncias implementadas com responsabilidade social e política.

final da cúpula do G7 de Biarritz, o presidente Emmanuel Macron anunciou que os países do grupo ofereciam US$ 20 milhões para ajudar o Brasil a combater as queimadas na Amazônia. Depois de negar e aceitar os recursos, o presidente Jair Bolsonaro pediu novamente nesta quarta-feira uma "retratação" por parte de seu colega francês Emmanuel Macron por declarações sobre a floresta amazônica que ele considera ataques à soberania do Brasil.

"No tocante ao governo francês, o fato de me chamar de mentiroso e por duas vezes falar que a soberania da Amazônia tem de ser relativizada, somente após ele [Macron] se retratar do que falou no tocante a minha pessoa (...) aí sem problema algum voltamos a conversar", declarou Bolsonaro aos jornalistas ao receber a visita do presidente chileno Sebastián Piñera.

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