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Franceses sofrem com queimadas na Amazônia

Franceses sofrem com queimadas na Amazônia
 
Aldeia próxima a Saint-Georges de Oiapoque, às margens do que faz divisa com o Brasil na Guiana Francesa. JEROME VALLETTE / AFP

As imagens das queimadas nas regiões centro-oeste e norte do Brasil provocam uma onda de indignação e de preocupação na França. Muitos franceses e europeus consideram a Amazônia como um assunto planetário, ante o recuo global da biodiversidade e as mudanças climáticas. O fato de a França possuir uma área de mata tropical bem preservada, no departamento ultramarino da Guiana Francesa, vizinho ao Brasil, também conta para esse sentimento de proximidade dos franceses com a floresta.

Cientistas políticos e ambientalistas que analisaram a declaração do presidente Emmanuel Macron, que se referiu aos incêndios na floresta brasileira como uma "crise internacional", defenderam o direito de ingerência do chefe de Estado. Eles consideram que declarações desse tipo se justificam quando valores universais estão ameaçados, seja em relação aos direitos humanos, à crise dos refugiados e no contexto atual das mudanças climáticas e de declínio da biodiversidade.

O fato de Macron chamar a Amazônia de "nossa casa", em um tuíte publicado na quinta-feira (22), foi interpretado nessa perspectiva. Mas Macron também foi criticado por ter publicado uma imagem no Twitter que não se referia a um incêndio atual e ter se referido à Amazônia como "pulmão" do mundo, uma vez que são os oceanos que produzem a maior parte do oxigênio do planeta.

Para a maioria dos franceses, é absurdo queimar riqueza de biodiversidade para produzir pasto ou terra arável que não representam a mesma importância biológica para a humanidade. A vizinha Guiana Francesa não enfrenta o problema das queimadas, mas tem projetos de mineração contestados. Até hoje, o departamento francês é coberto por 90% de mata tropical, 40% intactos graças a uma imensa área de reserva criada em 2007. O Parque Amazônico da Guiana abrange um território enorme, superior a 30 000 km², e é acessível apenas pelo ar ou de canoa através dos rios Maroni e Oiapoque, ainda habitados pelas etnias ameríndias e bushinengues.

Recentemente, o projeto de mineração Montanha de Ouro provocou uma queda de braço entre as ONGs e o Estado francês. A área de mineração não ficava em uma zona protegida pela reserva, mas a extração do ouro causaria poluição aos rios e ao solo da região. A área desmatada seria insignificante, mas a população local não via vantagens na extração do minério devido ao baixo potencial de criação de empregos e retorno econômico para as comunidades. Em maio, Macron acabou suspendendo o projeto.

ONGs ambientalistas como Greenpeace e WWF não acreditam que a ameaça está superada. Jerôme Frignet, diretor do programa de florestas da Greenpeace diz que Macron tem um discurso ambíguo. "Ele adota posturas progressistas na cena internacional, mas o Estado francês continua aplicando as mesmas políticas públicas produtivistas de 50 anos atrás, incoerentes com os imperativos das mudanças climáticas", critica.

Aréa florestal na França está em expansão

Não existem mais florestas primárias, ou seja, que nunca foram impactadas pela atividade humana no território francês situado na Europa. Mas dados oficiais apontam que a superfície de floresta jovem, plantada ou que se desenvolveu em áreas agrícolas e foi protegida, dobrou num intervalo de 200 anos. Essas áreas continuam crescendo 0,7% ao ano.

As florestas francesas abrigam 138 espécies ou subespécies de árvores e hoje cobrem 31% do território francês na Europa. Por ano, 80 milhões de novas árvores são plantadas no país. Por isso, a França se orgulha de ser a terceira nação com a maior superfície florestal na Europa, à frente da Suécia e da Finlândia.


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