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França

ONGs condenam restrições impostas pela França e decidem boicotar o G7

media Lucile Dufour, porta-voz da Rede Ação Clima. Captura de vídeo

ONGs ambientalistas e antiglobalização da Rede Ação Clima (Reseau Action Clima – RAC) anunciaram nesta quinta-feira (22) que vão boicotar a cúpula do G7 em Biarritz (sudoeste), de 24 a 26 de agosto. O coletivo evoca duas razões: uma vontade deliberada da presidência francesa de manter as ONGs à distância dos chefes de Estado dos países ricos e o pequeno número de credenciais concedidas aos representantes da sociedade civil para acompanhar os debates.

A Rede Ação Clima reúne 32 associações nacionais e locais, incluindo Oxfam, Greenpeace, Cáritas e WWF. A porta-voz do coletivo, Lucile Dufour, relatou que o Palácio do Eliseu estabeleceu uma quota de 25 credenciais para as ONGs, o que representa um quarto do número de participantes que o G7 admitiu nos últimos dez anos. "Esta decisão é uma afronta à liberdade de expressão da sociedade civil que nós rejeitamos tanto nesta cúpula quanto nas próximas", afirmou Dufour.

As ONGs explicaram ainda que o local designado pelas autoridades francesas para acolher o pequeno grupo de ativistas ficava distante das salas de reunião do G7 e do centro de imprensa, uma forma deliberada de dificultar o trabalho dos militantes. Eles pretendiam questionar os dirigentes de Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, mais a União Europeia, sobre a insuficiência de medidas adotadas para respeitar as metas do Acordo de Paris, visando limitar a 1,5°C a temperatura do planeta até o fim do século.

Em solidariedade ao boicote da RAC, o coletivo Coordenação Sul, composto por 170 associações, decidiu, por sua vez, declinar o convite de Macron para um almoço no Palácio do Eliseu que estava previsto para esta sexta-feira (23), véspera da abertura do G7. Philippe Jahshan, presidente da Coordenação Sul, considerou lamentáveis as restrições impostas pelas autoridades francesas "em um momento em que a solidariedade internacional necessita de diálogo aberto e de confiança entre os atores da sociedade civil, das instituições e da alta esfera do Estado". Segundo o ativista, a liberdade de ação da sociedade civil tem diminuído no atual contexto internacional.

O encontro do G7 terá como tema central "a luta contra as desigualdades". Uma anticúpula, com representantes da sociedade civil, começou nesta quarta-feira (21), com eventos programados em três cidades na fronteira da França com a Espanha (Urrugne, Hendaye e Irun), próximas de Biarritz. Os participantes criticam as políticas neoliberais do grupo dos sete mais ricos, alegando que elas têm contribuído para acentuar as desigualdades, agravar a pobreza e o desequilíbrio climático.

Com informações de agências internacionais

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