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Mostra na Fundação Cartier de Paris reflete sobre estética e ciência das árvores

Mostra na Fundação Cartier de Paris reflete sobre estética e ciência das árvores
 
Capa do catálogo da exposição "Nós, as Árvores", em Paris. DR

“Nous les Arbres” (“Nós, as árvores”) é o nome da exposição em cartaz na Fundação Cartier, de Paris. A mostra traz a árvore no papel principal, sob três prismas que se mesclam: o científico, o estético e o filosófico.

“Eu me pergunto se a primeira impressão que se tem de uma árvore é estética, ao invés de científica. Quando nos deparamos com uma bela árvore, é algo simplesmente extraordinário”, diz o botânico Francis Hallé, defensor de primeira hora das florestas tropicais. Seus desenhos e diários de bordo mostram a riqueza da fauna e sua fragilidade diante do homem predador. Ele estuda as árvores com rigor científico, mas sem abrir mão de um olhar estético e poético.  

“É o resultado de duas décadas de pesquisas, que nos ensinaram que as árvores se comunicam entre elas, que têm sensibilidade, memória, regulam o clima, toda uma série de propriedades que antes eram desconhecidas”, explica um dos curadores, o antropólogo Bruce Albert, coautor, com David Kopenawa, de “A Queda do Céu: Palavras de um xamã yanomami”, uma obra de referência.

“Houve uma mudança completa de perspectiva, paralelamente à destruição do planeta, o desmatamento da Terra equivale a mais ou menos o dobro da superfície de Paris a cada mês. O pior acontece nos países tropicais, que abrigam 80% da biodiversidade e da diversidade cultural, pois todas essas florestas primárias são habitadas por povos autóctones”, explica Albert.

“Nesses lugares, o ritmo de destruição é ainda mais alucinante, um hectare por minuto no Brasil, ou na Malásia. É o equivalente a um campo de futebol que desaparece por minuto para sempre”, acrescenta o antropólogo.

Simbiose de emoções verdes

A exposição faz uma reflexão sobre os avanços botânicos, a estética e a ameaça crescente a que as árvores estão expostas.

Ainda do lado de fora, nos jardins, a instalação Symbiosia, do holandês Thijs Biersteker, em colaboração com o neurobiólogo italiano Stefano Mancuso, mostra as reações imediatas de duas árvores em relação ao meio ambiente, como se tivessem sob um “scanner de emoções” o tempo todo.

Instalação de Luiz Zerbini, na Fundação Cartier, em Paris. Foto: Patricia Moribe

O artista plástico brasileiro Luiz Zerbini ocupa um grande espaço no andar térreo, com uma árvore entronando suas experiências gráficas com vegetais em formato gigante nas paredes.

“Eu sempre tive uma relação profunda com a natureza, desde criança. Morei numa praia deserta no sul, depois, em 1982, eu me mudei para o Rio de Janeiro, muito perto do Jardim Botânico”, conta Zerbini a respeito da influência do verde e da natureza em seu trabalho.

Enciclopédia de árvores

No andar de baixo, os arquitetos e designers italianos Cesare Leonardi e Franca Stagi apresentam o trabalho metódico e documentado de observação de árvores durante dez anos, ao longo de várias estações do ano, com desenhos e projetos que resultaram numa verdadeira enciclopédia sobre o assunto.

Árvore datilografada de Johanna Calle. Foto: Patricia Moribe

A colombiana Johanna Calle traz em papel árvores gigantes, em desenhos datilografados - o texto é da lei sobre os direitos de camponeses às terras, reproduzido em máquina de escrever sobre antigos livros de cartório.

Já Cassio Vasconcelos revisita o olhar dos primeiros artistas europeus que chegaram ao Brasil. “É uma homenagem aos artistas viajantes do início do século 19, que faziam parte de missões como a francesa, a austríaca e a Langsdorff. E também vieram cientistas, botânicos, além dos artistas, a fim de catalogar o Brasil”, explica o fotógrafo e artista visual.

Fotografia da série "Viagem Pitoresca pelo Brasil", de Cássio Vasconcellos. Cássio Vasconcellos

“Eu procuro passar com as imagens a mesma emoção, com uma estética parecida com a que eles usaram há 200 anos, quando viram a natureza exuberante”, continua Vasconcellos. “Fico imaginando como reagiriam hoje diante da destruição, principalmente da Mata Atlântica, que hoje é apenas 12% do que era antes”.

Visões autóctones

Há também obras feitas por indígenas yanomami do Brasil e guarani do Paraguai sobre a visão que eles têm das arvores, de seus povos e da natureza.

Obra de Kalepi, indígena yanomami. Foto: Patricia Moribe

O Brasil é presença marcante na exposição, com vários outros artistas: Adriana Varejão, Alex Cerveny, Afonso Tostes, Santídio Pereira, Miguel Rio Branco e Nilson Pimenta. A mostra traz ainda um trabalho apenas de Cláudia Andujar, um aperitivo para a grande exposição individual da fotógrafa brasileira, nascida na Suíça, no final do ano.

Outro nome de destaque é o do fotógrafo e cineasta francês Raymond Depardon, que junto com Claudine Nougaret, apresenta o documentário “Minha Árvore”, sobre a relação amorosa de pessoas e suas reminiscências sobre um plátano, uma nogueira, um pinheiro...

O filósofo Emanuele Coccia observa que “não existe nada puramente humano, há algo de vegetal em tudo que é humano, há arvores na origem de todas as experiências”.

385 milhões de anos

A árvore, aliás, lembra o catálogo da exposição, é um dos organismos vivos mais antigos do planeta – o fóssil conhecido mais antigo de floresta data de 385 milhões de anos. O mundo vegetal é responsável por 82,5% da biomassa terrestre. Já o homem, com seus 300 mil anos de idade, representa apenas 0,01% dessa massa orgânica.

“Nós, as Árvores” fica em cartaz na Fundação Cartier, de Paris, até 10 de novembro de 2019.


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